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Estado de Minas JERUSALÉM

"O silêncio não é uma opção" para os palestinos de Jerusalém Oriental


09/05/2021 14:26

Adnan, um palestino de Jerusalém Oriental, prometeu que as balas de borracha disparadas pela polícia israelense não o impediriam: "o silêncio não é uma opção" quando se trata de defender os árabes na Cidade Santa, diz.

Jerusalém Oriental, a parte árabe da cidade anexada por Israel em 1967, viveu os piores distúrbios dos últimos anos esta semana. Centenas de palestinos foram feridos e dezenas presos em confrontos com policiais, que foram atacados com pedras e outros projéteis lançados por manifestantes, em sua maioria jovens.

Confrontos violentos ocorreram na sexta-feira à noite após as orações do Ramadã na Esplanada das Mesquitas, o terceiro local mais sagrado do Islã, que os judeus chamam de Monte do Templo.

Para Adnan, de 20 anos, que não revelou seu nome verdadeiro por medo de retaliação da polícia israelense, os manifestantes estão respondendo ao que ele vê como um esforço persistente dos colonos judeus de expulsá-los da cidade.

"Estamos aqui, na rua, para dizer que não vamos embora", garante à AFP.

"Os colonos nos atacam e tomam nossas terras há anos, mas o silêncio não é mais uma opção", acrescenta.

- "Não querem que vivamos aqui" -

Vários eventos causaram tensão em Jerusalém Oriental, considerada pelos palestinos como a capital de seu futuro Estado.

Mohamed, outro manifestante que não revelou seu sobrenome, argumenta que cada incidente está relacionado a uma realidade inevitável para os palestinos na cidade.

"Os israelenses querem que trabalhemos para eles, mas não querem que vivamos aqui", assegura.

Este ano, um tribunal israelense decidiu a favor dos colonos judeus que buscam expulsar famílias palestinas de suas casas no bairro de Sheikh Jarrah, no norte da cidade.

De acordo com o tribunal, as famílias judias comprovaram uma reivindicação de décadas sobre a terra, o que irritou os palestinos e gerou meses de protestos que aumentaram nas últimas noites.

Mas outros incidentes também atiçaram as chamas.

Em abril, a polícia israelense fechou a praça em frente ao Portão de Damasco em Jerusalém Oriental, um ponto de encontro para os palestinos após as orações noturnas do Ramadã.

A ação gerou confrontos violentos com a polícia, que levantou as barricadas após várias noites de tumultos.

Então vieram os confrontos na Praça Al-Aqsa na sexta após as orações do Ramadã, que deixaram mais de 200 feridos.

A polícia disse que agiu em resposta a projéteis lançados por "milhares" de manifestantes.

Mohamed afirma que estava entre os milhares que quebraram o jejum, comendo e bebendo água, "quando a polícia começou a nos atacar".

O sábado foi mais tranquilo em Al-Aqsa durante a Leylat al-Qadr (noite do destino), que para os palestinos comemora a noite em que o Alcorão foi revelado ao profeta Maomé.

No entanto, a instabilidade continuou em Sheikh Jarrah, onde as hostilidades podem se arrastar pelos próximos dias, dependendo do que a Suprema Corte decidir sobre o despejo das famílias palestinas.

- Toda a Palestina -

"O caso de Jarrah é o caso de toda a Palestina", sustenta Malak Orok, de 23 anos, que protestou com amigos em Jerusalém no sábado.

"Hoje é por eles (as quatro famílias), amanhã será por nós", considera.

A área tem sido o foco de disputas históricas de propriedade entre organizações de colonos judeus e os palestinos.

O legislador israelense de extrema direita Itamar Ben-Gvir se envolveu na crise visitando o Jarrah para declarar que suas casas eram de propriedade de judeus e pedindo à polícia para "atirar" nos manifestantes.

Repórteres da AFP viram colonos judeus naquele bairro armados com revólveres e rifles de assalto.

Jaad Assad, de 24 anos, conta à AFP que muitos manifestantes acreditam que os partidários do presidente palestino Mahmoud Abas são corruptos e "estão colaborando com os israelenses".

Assad afirma que gerações de palestinos enfrentaram rivais poderosos que tentaram expulsá-los, mas que sobreviveram a todos eles. "Com a ajuda de Deus, vamos ficar", promete.


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