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Estado de Minas PARIS

Ciência busca vacinas que resistam às mutações do vírus


07/05/2021 08:43

As vacinas anticovid vão se tornar obsoletas, devido às mutações do vírus? Algumas startups tentam fabricar novas que sejam eficazes por anos, ou mais, mas por enquanto não há garantia de que esse trajeto será bem-sucedido.

"Poderiam proteger por vários anos", disse à AFP o diretor-executivo da OSE Immunotherapeutics, Alexis Peyroles, referindo-se a um projeto de vacina, no qual esta startup francesa começou a realizar testes clínicos.

Trata-se de criar uma vacina que resista ao aparecimento de variantes, ou seja, novas cepas do coronavírus que são diferentes das que foram levadas em consideração para o desenvolvimento das primeiras vacinas.

É uma das grandes incógnitas da pandemia: até que ponto as vacinas administradas hoje, como a da americana Pfizer, continuarão a ser eficazes quando as variantes se multiplicarem?

Até agora, elas parecem estar aguentando, mas até o CEO da Pfizer, Albert Bourla, estima que, uma vez por ano, uma nova dose atualizada da vacina terá de ser administrada.

Diante desse desafio, várias empresas de biotecnologia buscam um caminho diferente.

O primeiro deles é por meio do estímulo dos linfócitos T, que detectam e matam as células já infectadas, em vez de alvejar o próprio vírus.

As vacinas atuais visam, em primeiro lugar, à produção de anticorpos, que reconhecem e destroem o vírus diretamente, antes que ele infecte uma célula. Isso não significa que essas vacinas não induzam uma resposta dos linfócitos T, mas não é a prioridade.

Em tese, os linfócitos T apresentam várias vantagens em comparação aos anticorpos. Podem sobreviver por mais tempo no corpo e reagir a componentes do vírus que são muito menos propensos a sofrer mutação do que aqueles detectados pelos anticorpos.

Na França, a OSE segue a pista da "resposta T", assim como a Osivax, que até promete uma vacina "universal" que poderia responder a qualquer variante potencial. O Estado investe milhões de euros nisto.

São projetos isolados, porque poucos laboratórios acreditam em uma vacina universal. Dos quase 400 projetos de vacinas anticovid registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), poucos apostam nessa eventual solução.

O mais avançado é o da americana ImmunityBio, que divulgou no mês passado resultados bastante animadores, mas ainda muito preliminares.

- "Faca de dois gumes" -

A realidade destas vacinas ainda é muito incerta. Nenhum destes grupos propõe uma antes do ano que vem, e muitos cientistas duvidam que essa pista tenha êxito.

Alguns se perguntam se não é ilusório querer responder com antecedência ao futuro surgimento de novas variedades.

"Quando há uma vacinação em massa é, em si mesma, (...) uma pressão que pode levar o vírus a evoluir para escapar da vacina, seja ela qual for", declarou à AFP o virologista britânico Julian Tang, que considera a estratégia "uma faca de dois gumes".

A outra grande questão é: até que ponto nosso corpo resistirá ao vírus, se o fizermos responder com linfócitos T?

"Tenho dúvidas sobre a eficácia de uma vacina do tipo", disse o virologista francês Yves Gaudin.

Linfócitos e anticorpos trabalham em conjunto. Se a resposta por meio de anticorpos não for disparada, os linfócitos T "não servirão pra grande coisa", insistiu.

Ele acredita que o ideal é uma vacina eficaz nos dois níveis.

Se estas novas vacinas virem à luz, porém, serão injetadas, pelo menos na Europa e nos Estados Unidos, em pessoas que já receberam as vacinas atuais. Portanto, seus anticorpos estarão prontos.

É o argumento da Peyroles (da OSE Immunotherapeutics) para afirmar que sua vacina, se os resultados forem positivos, terá demanda.

Com esta vacina, "completa-se e amplia-se a defesa conquistada, graças às vacinas iniciais, em cobertura e em duração", explicou.

Ele argumenta ainda que protegeria pessoas com dificuldades para desenvolver anticorpos porque, por exemplo, sofrem de diabetes, ou certos tipos de câncer.

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