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Estado de Minas TEERÃ

Guia supremo do Irã chama de 'grande erro' declarações do chanceler


02/05/2021 17:36 - atualizado 02/05/2021 17:37

O guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, chamou neste domingo de "grande erro" as declarações do ministro das Relações Exteriores que vazaram na semana passada, nas quais criticava a influência do exército na diplomacia iraniana.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mahamad Javad Zarif (moderado), fez as declarações durante uma conversa "privada" de três horas, publicada por meios de comunicação no exterior em 24 de abril e que provocaram muitas críticas dos conservadores.

"A política do país é integrada pelas partes econômica, militar, social, científica e cultural, além das relações exteriores e a diplomacia", afirmou Khamenei em discurso televisionado.

"Se uma contradiz a outra, não faz nenhum sentido. É um grande erro que nenhuma autoridade da República Islâmica deve cometer", completou.

A gravação, "roubada", segundo o governo iraniano, acirrou o debate antes das eleições presidenciais e coincidiu com as negociações em Viena para tentar salvar o acordo sobre o programa nuclear iraniano, assinado pelo Irã e várias potências em 2015.

Khamenei não citou de maneira direta o vazamento nem o próprio Zarif, mas seus comentários foram uma referência clara ao chefe da diplomacia iraniana.

Além disso, o guia supremo enfatizou que "não há lugar no mundo em que a política externa seja elaborada pelo ministério das Relações Exteriores". De acordo com ele, o aparato diplomático é apenas "o executor" das decisões tomadas a níveis superiores.

Na gravação, Zarif também mencionou o papel do general Qassem Soleimani, comandante da unidade de operações no exterior da Guarda Revolucionária, assassinado por um ataque de drone dos Estados Unidos no Iraque no início de 2020.

"Na República Islâmica, o âmbito militar manda. Sacrificaram a diplomacia em nome do campo militar, quando o âmbito militar deveria estar a serviço da diplomacia", declarou Zarif na gravação, segundo o jornal New York Times.

Mais cedo neste domingo, Zarif pediu "perdão" à família de Qassem Soleimani após o vazamento.

THE NEW YORK TIMES COMPANY


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