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Estado de Minas KINSHASA

Presidente da RDC decreta 'estado de sítio' em duas províncias


30/04/2021 22:48

O presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, decretou "estado de sítio" em duas províncias do leste do país, atingidas pela violência de grupos armados e o massacre de civis, informou o porta-voz do governo na noite desta sexta-feira (30).

"O presidente da República informou o Conselho de Ministros de sua decisão de proclamar (...) o estado de sítio nas províncias de Kivu Norte e Ituri", declarou Patrick Muyaya.

Em um decreto presidencial posterior serão detalhadas as modalidades de sua aplicação, acrescentou o porta-voz.

Na quinta-feira, o presidente Tshisekedi tinha avisado que preparava "medidas radicais" devido à insegurança dominante no leste do país.

Na terça, em Paris, ele havia pedido ao presidente francês, Emmanuel Macron, ajuda da França para "erradicar" na região de Beni (Kivu Norte) as Forças Democráticas Aliadas (ADF), um grupo armado "de tendência islamita e métodos islamitas", segundo ele.

Dezenas de grupos armados - 122, segundo especialistas - estão ativos no leste da RDC.

As ADF, a princípio rebeldes muçulmanos ugandenses, são os mais violentos: são acusados de massacrar mais de mil civis desde novembro de 2019 no território de Beni.

Na cidade, a polícia dispersou nesta sexta uma manifestação pacífica de estudantes secundaristas que protestaram durante uma semana em frente à prefeitura para exigir a presença do presidente Tshisekedi e a saída da Missão das Nações Unidas no Congo (Monusco), acusada de não fazer nada diante dos grupos armados.

Ricas em minerais, na fronteira com Uganda, Ruanda e Burundi, as duas províncias de Kivu Norte e Sul se tornaram território de violência durante as duas guerras no Congo (1996-97, 1998-2003), sem recuperar a estabilidade desde então.

Mais ao norte, a província de Ituri é cenário de violência desde o fim de 2017, após permanecer em paz por quinze anos.

Entre 1999 e 2003, um conflito entre duas comunidades - os Hema e os Landu - deixou milhares de mortos, até a intervenção da força europeia Artemis.


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