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Estado de Minas CARACAS

Denúncias de abusos sexuais de menores sacodem a Venezuela


29/04/2021 21:32

Uma avalanche de denúncias de delitos sexuais contra menores cometidos por músicos, artistas e escritores sacode a Venezuela, onde a hashtag #YoSíTeCreo (Eu acredito em você) viralizou nas redes sociais em apoio às denunciantes e levou as autoridades a abrir investigações.

"Fez sexo oral em mim, me masturbou com as mãos e esfregou seus genitais nos meus incontáveis vezes. Era a primeira vez na vida que estava nua na frente de um homem. Nunca um pênis tinha roçado a minha vulva. Acabava de fazer 16 anos. Ele faria 36 na semana seguinte", publicou uma mulher no Twitter, com o pseudônimo Pía, acusando o escritor Willy McKey, que em um comunicado admitiu ter cometido "estupro" e suicidou-se nesta quinta-feira (29) em Buenos Aires, onde morava, segundo um boletim da polícia.

Diante de acusações como estas, feitas por dezenas de mulheres, o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, anunciou uma investigação criminal.

"Saudamos a coragem de quem deu estes testemunhos, mas queremos destacar a importância da denúncia às autoridades competentes", disse nesta quinta Saab em declaração transmitida pela TV, na qual tachou os acusados de "predadores sexuais".

"São pessoas que, com poder e fama, praticaram atos de assédio ou abuso contra adolescentes e menores", acrescentou.

Tudo começou no Instagram, com uma conta aberta para denunciar Alejandro Sojo, cantor da banda de pop rock venezuelana Los Colores, por abuso de menores ocorrido há alguns anos, sendo ele já adulto.

A primeira mensagem, de 19 de abril, pedia para "coletar testemunhos" para processar criminalmente o músico e alertava para casos de jovens de 14, 15 e 16 anos, documentados por "conversas de WhatsApp, FB (Facebook) e Instagram" que, pouco a pouco, foram sendo divulgadas.

"Lamento profundamente por todo o dano que meus erros do passado tenham provocado", respondeu Sojo, que também mora na Argentina, por meio de um comunicado.

Ecoando o movimento globalizado #MeToo, começou a aparecer o lema "Eu acredito em você" como sinal de apoio às vítimas.

O caso gerou acusações em série contra membros de outros grupos musicais locais como Tony Maestracci (baterista da Tomates Fritos) e personagens da cena teatral, como os diretores Juan Carlos Ogando e José Pepe Arceo, assim como o escritor McKey.

No último tuíte publicado antes de se suicidar, McKey escreveu: "Não sejam isso. Cresce por dentro e se mate. Perdão".

O governo venezuelano expressou, em um comunicado do Ministério da Mulher, sua solidariedade com "as mulheres que têm expressado de forma pública os diversos atos de violência sexual de que têm sido vítimas" em "âmbitos vinculados às artes e ao mundo do espetáculo".

Fernando Pereira, diretor da organização dos direitos das crianças e adolescentes CECODAP, considera que a situação "evidencia um fenômeno" que tem sido um "tabi" em uma sociedade "que continua enchendo as vítimas de culpa e vergonha".

O ativista destaca que a grande maioria dos abusos sexuais contra menores ocorrem em seu entorno próximo, familiares, amigos, pessoas dos locais que frequentam. Oitenta por cento das vítimas, afirma, são meninas.


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