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Estado de Minas BOGOTÁ

Colombianos protestam contra projeto de reforma tributária de Duque


28/04/2021 12:41

Centenas de pessoas protestam nesta quarta-feira (28) na Colômbia contra um projeto de reforma tributária promovido pelo governo de Iván Duque, em meio a um pico de contágios e mortes por covid-19 no país.

"O governo não quer ouvir os cidadãos, não quer ouvir os partidos políticos, não quer ouvir a academia sobre esse pedido tão sincero de retirar a reforma que vai colocar outros milhões de colombianos para passar fome", disse Francisco Maltés, presidente da Central Única de Trabalhadores (CUT), à Blu Rádio.

Sindicatos trabalhistas, professores, organizações civis, indígenas e outros setores inconformados rejeitam o projeto que está em andamento no Congresso, por considerarem que castiga a classe média e é inadequado em plena crise desencadeada pela pandemia.

Em Bogotá, epicentro dos protestos, os manifestantes avançam para o centro da cidade. Medellín (noroeste), Cali (sudoeste) e Barranquilla (norte) aqueciam os motores esta manhã com dezenas de pessoas que chegavam nos pontos de encontro.

O novo dia de protestos foi convocado pelo Comitê Nacional de Desemprego, que desde 2019 organiza inúmeras mobilizações para exigir uma mudança de rumo do governo.

Mas algumas vozes pediram a suspensão das manifestações, que coincidem com a onda mais mortal da covid-19 em treze meses de pandemia.

Ontem, um tribunal administrativo ordenou adiar os protestos. Uma decisão apoiada pela Defensoria do Povo, que alertou sobre a "inconveniência de convocar mobilizações sociais neste momento tão perigoso para a saúde e a vida".

Recorrendo ao direito constitucional ao protesto, os líderes mantiveram o dia de manifestações em todo o país.

-Golpe à classe média-

A Colômbia é o terceiro país da América Latina com maior número de casos (2,8 milhões), atrás do Brasil e Argentina. Em relação ao número de mortos (72.200), só é superada pelo Brasil e México.

Duque, que tem pouco mais de um ano restante no poder, possui uma popularidade de 33%, segundo a pesquisa mais recente da Invamer.

Embora sua reforma tributária tenha sido apresentada como uma ferramenta para amenizar a crise gerada pela pandemia, a iniciativa enfrenta obstáculos em um Legislativo sem maiorias. Inclusive o partido do governo, o Centro Democrático, aponta objeções no projeto.

"O descontentamento e a rejeição à reforma foram bastante generalizados e o governo não tem muita margem de manobra", afirma Yann Basset, professor de ciência política na Universidade do Rosário.

De acordo com o especialista, "cada setor vê um motivo de descontentamento em um momento em que a situação econômica é obviamente muito difícil para todo mundo".

O presidente pretende arrecadar o equivalente a cerca de 6,3 bilhões de dólares entre 2022 e 2031.

Entre as propostas que causam maior indignação está a taxação dos serviços básicos em áreas de classe média-alta, dos funerais e criar um imposto de renda para quem ganhar mais que 656 dólares mensais, em um país onde o salário mínimo é de 248 dólares.

Em seu pior desempenho em cinquenta anos, o Produto Interno Bruto (PIB) do país despencou 6,8% em 2020. O desemprego alcançou o índice de 18,1% em fevereiro, quando a informalidade abrange quase metade da população.

"O governo não pode pedir a nós, trabalhadores, que fiquemos tranquilos em casa olhando para o teto", afirmou Maltés.


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