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Estado de Minas MOGADÍSCIO

Presidente da Somália pede eleições para reduzir tensão


27/04/2021 23:25 - atualizado 27/04/2021 23:26

O presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed, que enfrenta a pressão de aliados, pediu nesta terça-feira a realização de eleições, no fim de um dia em que habitantes de Mogadíscido fugiam de seus bairros por medo de novos confrontos armados.

O presidente se dirigirá ao Parlamento no sábado para "obter sua aprovação para o processo eleitoral" e pede que os atores políticos realizem "discussões urgentes" sobre como a votação deve ser conduzida, segundo seu discurso à nação transmitido pela mídia pública.

"Como já repetimos várias vezes, sempre estivemos dispostos a organizar eleições pacíficas no momento oportuno no país", declarou o presidente, conhecido pelo apelido de "Farmajo". "Mas infelizmente, alguns indivíduos e entidades estrangeiras obstruíram nossas iniciativas com o único objetivo de desestabilizar o país e levá-lo de volta à era da divisão e destruição para criar um vazio constitucional", acrescentou.

A capital viveu momentos de tensão hoje, dois dias depois de tiroteios entre forças do governo e opositores, que deixaram três mortos. Em alguns bairros, moradores abandonaram suas casas, amontoando seus pertences em carroças, vans e mototáxis.

Há anos não se registrava uma violência semelhante na Somália, país com equilíbrio precário, que enfrenta a rebelião islamita dos Al-Shabab, ligados à Al-Qaeda. O medo de disputas urbanas entre facções de clãs rivais, como as que assolaram Mogadíscio durante a guerra civil, ressurgiu.

A tensão política disparou desde o fim do mandato de "Farmajo", que terminou em 8 de fevereiro sem a realização de eleições. Em 12 de abril, o Parlamento votou uma lei que prorroga seu mandato por dois anos antes das eleições, o que irritou a oposição. O impasse eleitoral resultou em confrontos armados na noite do último domingo, quando combatentes aliados da oposição ergueram barricadas em diferentes bairros de Mogadíscio.

- Chamado do primeiro-ministro -

Nesta terça-feira, dois estados semiautônomos - Galmudug e Hirshabelle - rejeitaram a prorrogação do mandato presidencial e pediram eleições. Aliado de Farmajo, o primeiro-ministro, Mohamed Hussein Roble, também pediu "a aceleração de eleições livres e justas" e exortou os comandantes militares a "levarem suas forças de volta para a base". Também solicitou que os líderes da oposição "interrompam os atos e movimentos que possam gerar um conflito violento".

A missão da ONU na Somália (Unsom) advertiu hoje que está alarmada com as divisões de clãs dentro do Exército Nacional Somali (SNA) e alertou que o conflito político desviou a atenção da luta contra o Al-Shabab.

Segundo o grupo de especialistas International Crisis Group (ICG), "o detonador imediato" da violência de domingo foi a chegada à capital de unidades do Exército leais a um dos candidatos da oposição à presidência. Elas deixaram suas bases no centro-sul de Hirshabelle, região que constitui uma das linhas de frente da luta contra os Al-Shabab. Essas tropas, que ergueram barricadas, "controlam atualmente várias seções da capital", informou o grupo.

Desde ontem, cada grupo consolida suas posições. "Homens armados vestindo uniformes militares vieram até nós e nos disseram para ir embora com nossas mulheres e filhos", contou Abdi Ali Abdi.

A maioria das figuras políticas da Somália conta com combatentes e armas, e o conflito eleitoral avivou a lealdade aos clãs, explicam analistas. "Quando mencionamos um colapso das forças de segurança em clãs, isso é realmente uma lembrança da guerra civil que começou no fim dos anos 1980", mencionou Omar Mahmood, analista do ICG.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu a retomada imediata das negociações, e os Estados Unidos, um aliado-chave da Somália, consideram "todos os instrumentos disponíveis, entre eles as sanções".


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