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Estado de Minas MIAMI

Escola em Miami proíbe professores de serem vacinados, citando falso risco para alunos


27/04/2021 18:48

Uma escola particular de Miami proibiu seus professores e demais funcionários de tomar a vacina contra a covid-19, citando argumentos sem qualquer evidência de que o contato com pessoas vacinadas seria prejudicial para as crianças.

Os críticos argumentam que a medida da Centner Academy é um exemplo claro dos perigos da desinformação, em um momento em que os Estados Unidos se esforçam para vacinar sua população.

Leila Centner, cofundadora da instituição de ensino, escreveu em uma carta à sua equipe que não será permitido que professores vacinados se aproximem das crianças. Àqueles que não foram imunizados, exige que não o façam até o final do ano letivo.

"Houve relatos de pessoas não vacinadas que foram afetadas negativamente pela interação com pessoas que foram vacinadas", alegou Centner, ecoando informações falsas que circulam nas redes sociais.

Em nota enviada à AFP na segunda-feira, Centner explica que "parece que quem recebeu as injeções pode estar transmitindo algo de seus corpos àqueles com quem estão em contato".

Essas afirmações, no entanto, já foram refutadas por cientistas e diversos verificadores de fatos.

"Não há evidências que sugiram que a vacina faça com que uma pessoa libere o vírus SARS-CoV-2", disse Jamie Scott, professora emérita e ex-pesquisadora de imunidade molecular da Universidade Simon Fraser, no Canadá.

"É impossível, uma vez que todas as vacinas fazem as células produzirem apenas a proteína espicular e nenhum outro componente do vírus", esclareceu a especialista à AFP Fact Check, a equipe de verificadores de fatos da AFP.

Também Dasantila Golemi-Kotra, professora associada de microbiologia da Universidade de York, disse que "nenhuma proteína é expelida quando somos vacinados, isso é uma ideia distorcida".

A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos, autoridades equivalentes em todo o mundo e a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovaram o uso emergencial de várias vacinas depois que elas se provaram seguras e eficazes.

O processo de vacinação na Flórida está avançando rapidamente, com 6 milhões de pessoas imunizadas entre uma população de 23 milhões.

Alguns pais ficaram irritados com a decisão de Centner. Na escola, dizem "meu corpo, minha escolha", apontou Lidia, uma mãe que não quis se identificar. "E ainda assim eles estão dizendo aos professores algo totalmente oposto", disse ela ao canal local 6 South Florida, da NBC.

- "Conspiratório e pseudocientífico" -

A cofundadora da Centner Academy vai mais longe e acrescenta em sua carta que "milhares" de mulheres relataram que seus ciclos menstruais foram afetados pela vacina e que ela causou um aumento de "366%" nos abortos espontâneos, alegações também sem qualquer fundamento.

Centner cita como fonte um artigo publicado por um portal chamado The Daily Expose. Ele é categorizado como "conspiratório e pseudocientífico", pois publica "informações sem verificar nem sempre sustentadas por evidências", segundo o site MediaBiasFactCheck.com, que monitora a seriedade e a confiabilidade de veículos de comunicação.

Além disso, a AFP Fact Check também refutou essa última afirmação em fevereiro.

"Nenhuma evidência indicou um aumento de abortos após as vacinas contra a covid-19 e nenhum padrão preocupante de notificação (de abortos espontâneos) foi observado", indicou um porta-voz dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Porém, Centner tem seus defensores. "Apoiamos 100% a decisão da escola", disse Fábio, um pai que não quis se identificar, à AFP.

O instituto privado, que abrange os ensinos fundamental e médio, já tinha uma política peculiar de vacinas antes da pandemia.

Em seu site, a Centner Academy informa que não exige que seus alunos sejam vacinados porque muitos pais acham que isso "prejudica a saúde de seus filhos", uma noção desacreditada pela comunidade científica há anos.


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