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Estado de Minas MOSCOU

Exército russo começa sua retirada da fronteira com a Ucrânia


23/04/2021 15:32 - atualizado 23/04/2021 15:37

O exército russo começou a se retirar da fronteira com a Ucrânia, onde suas tropas estavam implantadas há semanas aumentando a tensão internacional, anunciou o Ministério da Defesa nesta sexta-feira (23).

"Neste momento, nossas unidades e nossos militares se dirigem para as estações de trem e os aeroporstos, para as embarcações e plataformas ferroviárias e para os aviões de transporte militar", disse o ministério em um comunicado, citado por Ria Novosti.

Segundo as mesmas fontes, citadas pela agência Interfax, a retirada começou na Crimeia, península da Ucrânia anexada pela Rússia em 2014, um dia depois de algumas manobras que reuniram cerca de 10.000 militares na área.

"Em 23 de abril, as forças do distrito militar do sul e as forças aerotransportadas que participam das manobras de verificação começaram a voltar para suas bases permanentes", disse o ministério.

O ministro da Defesa, Serguei Shoigu, anunciou na quinta-feira esta retirada, que se prolongará até 1º de maio, de todas as tropas enviadas à Crimeia e no oeste da Rússia para realizar manobras, que - segundo ele - tinham como objetivo verificar o estado de preparação das tropas russas.

A presença desses soldados perto da Ucrânia, que luta desde 2014 contra os separatistas pró-russos no leste do país, aumentou as tensões entre Moscou, Kiev e os ocidentais.

A Ucrânia suspeitava que a Rússia estava preparando uma invasão, o que Moscou nega, argumentando que essas manobras não eram uma "ameaça" e sim uma resposta a movimentos militares da Otan na Europa e às provocações da Ucrânia.

O conflito entre Kiev e os separatistas deixa dezenas de mortos desde janeiro, depois de uma trégua que foi respeitada desde a segunda metade de 2020. Desde 2014, mais de 13.000 pessoas morreram nesse confronto.

Uma mediação da Alemanha e França levou à assinatura de alguns acordos de paz que acabaram com a maioria dos combates em 2015, mas o processo político ficou estagnado.

- Prudência -

O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, elogiou na quinta-feira o anúncio da retirada russa, apesar de, assim como a Otan, dizer que permanecerá "vigilante".

No entanto, o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba, destacou nesta sexta-feira que esta "ação positiva" não interrompe "nem a escalada, nem o conflito em seu conjunto".

A Alemanha também se mostrou cautelosa e a porta-voz de sua diplomacia, Maria Adebahr, afirmou que espera que o "anúncio tenha efeitos". Os Estados Unidos, que apoiam a Ucrânia nesta crise, afirmaram que esperavam "ações" e não só "palavras".

As tropas russas começaram a se retirar um dia antes da entrada em vigor da limitação imposta pela Rússia à navegação de navios militares e oficiais estrangeiros em três áreas do mar Negro na costa da Crimeia. Uma medida que vai durar seis meses e que foi denunciada pelos ocidentais.

Com esse envio de tropas, Moscou confrontou Washington nos primeiros meses de governo de Joe Biden, já que lançou essas operações justo depois que o presidente americano chamou seu homólogo russo, Vladimir Putin, de "assassino".

Agora, Rússia e Estados Unidos discutem sobre a realização de uma possível cúpula neste verão (boreal) em um país neutro, por iniciativa de Washington.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou nesta sexta que Putin continua interessado em "melhorar e restaurar as relações com os Estados Unidos".

Na sexta-feira à noite, o emissário russo para as negociações de paz, Dmitri Kozak, propôs uma reunião no leste da Ucrânia, antes de 27 de abril, do grupo de mediação franco-alemão na presença de representantes de Kiev e dos separatistas.


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