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Estado de Minas WASHINGTON

China é foco da cúpula presencial de Biden com premiê japonês


16/04/2021 14:19 - atualizado 16/04/2021 14:26

O presidente americano, Joe Biden, recebe o primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga, nesta sexta-feira (16), para a primeira cúpula presencial de seu mandato, na qual ambos devem anunciar uma iniciativa de US$ 2 bilhões para a tecnologia 5G em um esforço conjunto para competir com a China.

A decisão de Biden de ter o primeiro-ministro japonês como seu primeiro convidado da Casa Branca e a tão esperada visita do presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em maio, reflete a prioridade do presidente democrata de renovar alianças dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, mira em uma ambiciosa China como o maior desafio internacional do país.

No início de sua visita em um encontro com a vice-presidente Kamala Harris, Suga ecoou as palavras do governo americano ao afirmar que a relação dos dois países está "conectada por valores universais como a liberdade, a democracia e o Estado de Direito".

"Este é um momento como nenhum outro no qual a aliança Japão-Estados Unidos precisa ser forte", acrescentou Suga.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Pskai, disse sobre a visita que "deve enviar uma mensagem contundente" sobre a "importância crítica" das relações dos Estados Unidos na Ásia.

Sobre outra prioridade de Biden, Psaki disse que espera que Suga anuncie um novo objetivo para 2030 sobre a redução das emissões de carbono responsáveis pela mudança climática.

Biden vai liderar em uma semana uma grande cúpula climática virtual, com a esperança de alcançar maiores compromissos sobre o clima em meio a uma crescente evidência de uma crise planetária.

A terceira maior economia do mundo se comprometeu no Acordo de Paris a reduzir as emissões em 26% para 2030, mas a partir dos níveis de 2013, objetivo que os especialistas não consideram suficientemente ambiciosos para cumprir a meta de Suga de um Japão neutro em carbono em 2050.

Um funcionário de alto escalão dos EUA disse que o Japão, líder em tecnologia, anunciará um "compromisso muito substancial" de US$ 2 bilhões em conjunto com os Estados Unidos "para trabalhar no 5G e nos próximos passos".

O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, lançou uma campanha para pressionar vários países a renunciarem ao uso de equipamentos da gigante chinesa Huawei, que se consolidou como líder na implantação da Internet de quinta geração.

Além disso, os dois líderes também discutirão as crescentes tensões em Taiwan, após as denúncias de Taipei da crescente penetração de seu espaço aéreo por parte de Pequim.

"Nenhum dos nossos países quer que as tensões se intensifiquem ou provoquem a China, mas estamos tentando enviar um sinal claro de que certas ações da China são contrárias à manutenção da paz e da estabilidade", disse um alto funcionário americano.

- "Desafios fundamentais" -

Embora tenha sido uma coincidência, esta fonte disse ser apropriado que a visita de Suga aconteça dois dias depois de Biden anunciar a retirada completa da presença militar dos EUA no Afeganistão, após 20 anos de guerra.

A retirada "vai liberar tempo, atenção e recursos da liderança [política] e dos nossos militares para se concentrarem no que acreditamos serem os desafios fundamentais do século XXI e que estão no Indo-Pacífico", explicou.

O primeiro-ministro japonês também será consultado sobre a estratégia do novo governo americano frente à Coreia do Norte, antes da visita do presidente Moon Jae-in a Washington.

Dias antes da grande cúpula climática virtual que acontece em uma semana, o presidente democrata também conversará com Yoshihide Suga sobre os objetivos do Japão na luta contra a mudança climática.

Esta primeira cúpula bilateral do 46º presidente americano, que acontece apenas três meses depois de sua chegada ao poder, devido às restrições de saúde ligadas à pandemia, será observada de perto, para destacar os prováveis contrastes com os encontros de Donald Trump com seus homólogos.

Nesta sexta, presidente deve receber Suga para conversas privadas e reunião de seus respectivos gabinetes, antes de abrir o encontro para perguntas em entrevista coletiva conjunta.

É provável que Yoshihide Suga mantenha uma posição cautelosa, caso os EUA tentem envolver o Japão em seu confronto com a China. Afinal, a economia japonesa ainda depende, em grande medida, do comércio com Pequim.

Segundo Michael Green, ex-assessor do ex-presidente George W. Bush sobre Ásia e atual vice-presidente do Center for Strategic and International Studies (CSIS), "a administração Biden está preocupada com a crescente agressividade da China e o terreno perdido pelos Estados Unidos na região nos últimos anos e, por isso, quer recuperar rapidamente o tempo perdido".

O Japão quer, por sua vez, seguir metodicamente uma estratégia mais prudente.

"Por isso há algumas nuanças na manifestação pública de suas posições, mas, em geral, vão na mesma direção", avaliou.


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