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Estado de Minas YANGON

Novas denúncias penais apresentadas contra Aung San Suu Kyi em Mianmar


12/04/2021 10:30 - atualizado 12/04/2021 10:37

A líder civil Aung San Suu Kyi, expulsa do poder pela junta militar em Mianmar, é alvo de novas denúncias criminais, anunciou seu advogado nesta segunda-feira (12), enquanto o regime intensifica a repressão contra o movimento pró-democracia.

Ang San Suu Kyi, de 75 anos, não é vista em público desde que foi detida nas primeiras horas do golpe de Estado de 1º de fevereiro.

Desde então, a repressão das forças de segurança contra os manifestantes pró-democracia em Mianmar aumentou e já provocou as mortes de mais de 700 civis.

Ang San Suu Kyi "tem seis acusações, cinco em (na capital) Naypyidaw e uma em Yangon", declarou à AFP Min Min Soe, indicando que as denúncias estão vinculadas à legislação sobre a gestão de catástrofes naturais.

A vencedora do Nobel da Paz de 1991 já estava sendo processada por outras acusações, incluindo "incitação à desordem pública". Também é acusada de ter recebido subornos e de ter violado uma lei sobre segredos de Estado.

De acordo com o advogado, Suu Kyi - que está em prisão domiciliar em Naypyidaw - parece estar em bom estado de saúde, mas não é possível saber se ela tem acesso às informações do que acontece em Mianmar nos últimos meses e que gerou uma grande comoção internacional.

- Munição letal -

Nas manifestações quase diárias, com pedidos de libertação de Suu Kyi e retorno da democracia, as forças de segurança não hesitam em utilizar munição letal.

Em Tamu, perto da fronteira com a Índia, uma menina de seis anos morreu vítima de um tiro nesta segunda-feira quando saiu para comprar doces, informou um morador à AFP.

A sexta-feira passada foi um dos dias mais sangrentos. A Associação de Assistência aos Presos Políticos (AAPP), uma organização local, confirmou que neste dia "mais de 80 manifestantes antigolpistas foram assassinados pelas forças de segurança em Bago", 65 quilômetros ao nordeste de Yangon, a capital econômica do país.

Mas os militares insistem que sua resposta é proporcional e o comandante da junta, general Min Aung Hlaing, afirmou que os soldados estão "garantindo a força da democracia" em Yangon, de acordo com a imprensa estatal.

Apesar do banho de sangue, os protestos e as greves continuam no país.

Nesta segunda-feira, véspera da comemoração do Ano Novo budista em Mianmar, aconteceram novas manifestações em Mandalay e em Kalay, norte do país.

Em Yangon, vários ônibus foram incendiados na madrugada de segunda-feira.

A crescente violência também enfureceu alguns grupos étnicos armados de Mianmar, que controlam faixas do território.

Nesta segunda-feira aconteceram combates perto de Momauk, no estado de Kachin (norte), entre os militares e o Exército Independentista de Kachin (KIA).

A repressão das manifestações recebeu condenação internacional, principalmente de países ocidentais, assim como sanções econômicas contra integrantes da junta militar.

China e Rússia se negaram a condenar a junta e, como possuem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, se opõem às sanções internacionais.

A China - principal aliada do exército de Mianmar -, porém, expressou recentemente sua crescente preocupação com a instabilidade e afirmou que está falando com "todas as partes".


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