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Estado de Minas MINNEAPOLIS

Testemunha do julgamento de Floyd lamenta 'não ter feito mais'


30/03/2021 18:46 - atualizado 30/03/2021 18:49

A testemunha que gravou o vídeo que mostra os últimos minutos de vida de George Floyd relatou nesta terça-feira, no julgamento do ex-policial de Minneapolis acusado de matá-lo, que lamenta "não ter feito mais" e salvo a vítima.

Darnella Frazier, 18, foi uma das testemunhas que prestaram depoimento hoje no julgamento do ex-agente Derek Chauvin, acusado de homicídio e assassinato.

O vídeo impressionante de Floyd agonizando sob o joelho de Chauvin foi o foco da abertura da argumentação, nesta segunda-feira, no julgamento pela morte desse homem negro, 46 anos, que gerou comoção no mundo. No depoimento de hoje, Darnella descreveu Floyd como alguém que estava "aterrorizado e que suplicou por sua vida".

"Meu pai é negro. Meu irmão também é negro. Poderia ter sido um deles", disse a jovem no tribunal, com lágrimas nos olhos. "Passei noites inteiras pedindo perdão a George Floyd por não ter feito mais e por não ter interferido fisicamente e salvo sua vida", desabafou. "Não estava certo. Ele estava sofrendo, com dor. Eu sabia que aquilo era errado, todos sabíamos."

- Testemunha de um 'homicídio' -

Outra testemunha, o instrutor de artes marciais Donald Williams, 33, contou que telefonou para o serviço de emergências após presenciar a morte de Floyd, que descreveu como homicídio. Williams afirmou que Floyd já estava "em perigo" quando ele chegou ao local. "Percebia-se que ele tentava respirar a duras penas."

O instrutor também disse que implorou aos agentes presentes no local que prestassem assistência a Floyd, que morreu ao ser detido, após ser acusado de pagar uma conta com uma nota falsa de 20 dólares. O ex-agente Derek Chauvin, 44, é acusado de homicídio por seu papel no caso, que ocorreu no último dia 25 de maio.

Williams contou que Floyd foi imobilizado por Chauvin com um golpe de artes marciais, e que o viu perder os sentidos. Depois que uma ambulância levou a vítima, Williams telefonou para o serviço de emergências. "Eu achava que tinha sido testemunha de um homicídio. Não sabia mais o que fazer", disse no tribunal.

- 'Chegaram e mataram esse homem' -

Trechos do telefonema foram reproduzidos no tribunal. "Ele foi e matou esse homem", descreve Williams na chamada. "Assassinos, irmão... Eles mataram esse homem em frente à loja."

Ao ser interrogado sobre a quem se referia, Williams respondeu: "Ao oficial sentado ali", e apontou para Chauvin. "Você viu Floyd resistindo à prisão?", perguntou o promotor Matthew Frank. Williams respondeu que não.

Ao ser interrogado pelo advogado de defesa, Eric Nelson, Williams admitiu que insultou Chauvin e os outros agentes que estavam no local. "Você o chamou de vagabundo 13 vezes", citou Nelson. "Eu tinha que falar por Floyd", defendeu-se Williams.

O vídeo que mostra a morte de Floyd deve ser o eixo central do processo contra Chauvin. A acusação busca provar que o então policial não teve nenhuma justificativa para aplicar a imobilização perigosa que causou a morte de Floyd.

A defesa argumentou ontem que pode provar que Floyd estava drogado, o que teria forçado os policiais a serem mais duros, e que sua morte se deveu mais às drogas e a seus problemas de saúde do que à asfixia. "Vocês vão ver que Derek Chauvin fez exatamente o que havia sido treinado para fazer", afirmou Nelson.

Com 19 anos de trabalho na polícia, Chauvin é acusado de assassinato e homicídio culposo, e pode pegar até 40 anos de prisão se for declarado culpado da acusação mais grave: assassinato em segundo grau. O julgamento é acompanhado com atenção pelo mundo inteiro, e a Casa Branca informou ontem que o presidente Joe Biden também estava atento ao processo.

Ben Crump, advogado especialista em direitos civis que representa a família Floyd, classificou o processo de "um julgamento histórico, que será um referendo sobre o quão longe os Estados Unidos chegaram em sua busca por igualdade e justiça para todos".

O julgamento deve durar cerca de um mês e os outros três oficiais envolvidos na prisão de Floyd - Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng - serão julgados em outro processo, também este ano.


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