Publicidade

Estado de Minas GENEBRA

Chefe da OMS pede investigação mais profunda sobre hipótese de fuga do vírus de laboratório chinês


30/03/2021 13:48

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu nesta terça-feira (30) uma nova investigação sobre a hipótese de uma fuga do vírus da covid-19 de um laboratório na China e criticou a falta de acesso dos especialistas aos dados.

Embora os cientistas, que investigaram a origem do vírus na China em janeiro e fevereiro, estimem que essa possibilidade seja a menos provável, "isso requer mais investigações, provavelmente com novas missões com especialistas, o que estou disposto a implantar", assegurou.

Por sua vez, Estados Unidos e treze países aliados expressaram suas "preocupações comuns" em uma declaração conjunta sobre o relatório.

"É essencial expressar nossas preocupações comuns de que o estudo de especialistas internacionais sobre a origem do vírus SARS-CoV-2 foi significativamente atrasado e não teve acesso exaustivo aos dados e amostras originais", declara o governo americano com outros países, incluindo Reino Unido, Israel, Canadá, Japão, Austrália, Dinamarca e Noruega.

Na apresentação oficial do relatório conjunto dos especialistas da OMS e de cientistas chineses sobre a origem do vírus, o chefe da OMS disse que a investigação permitiu avançar no conhecimento "de forma importante", mas que gerou "outras questões que precisam de outros estudos".

O informe, ao qual a AFP teve acesso na segunda-feira (29), considera "extremamente improvável" que o coronavírus se deva a um acidente, ou a um vazamento de patógenos de um laboratório.

Nesta terça, porém, o doutor Tedros pediu una investigação mais profunda desta hipótese com "especialistas".

O chefe da OMS disse ainda que a equipe internacional de especialistas sinalizou ter tido "dificuldades" para "ter acesso aos dados originais", durante a estada na China.

"Espero que novos estudos colaborativos estejam baseados em compartilhar os dados de uma forma mais ampla e rápida", acrescentou.

O estudo dos especialistas favorece a teoria amplamente aceita da transmissão natural do vírus de um animal reservatório (provavelmente o morcego) para o ser Humano, por meio de outro animal ainda não identificado.

Entre os suspeitos estão o gato doméstico, o coelho ou o vison, ou ainda o pangolim e o furão-texugo.

A transmissão direta do vírus através um animal reservatório é considerada "possível a provável" pelos especialistas, que também não descartam a hipótese de transmissão por carne congelada - pista defendida por Pequim -, considerando esse cenário "possível".

O relatório recomenda a continuação dos estudos com base nessas três hipóteses, mas deixa de lado a possibilidade de transmissão para humanos durante um acidente de laboratório.

O relatório da OMS é "um primeiro passo útil", mas "novas investigações terão de ser realizadas", reagiu a União Europeia (UE) nesta terça, estimando que "ainda é necessário ter acesso a todos os locais apropriados e a todos os dados disponíveis".

- Tratado internacional sobre pandemias -

Também nesta terça, os governantes de quase 20 países, o presidente do Conselho Europeu e o diretor da OMS apelaram à elaboração de um tratado sobre pandemias para melhor enfrentar crises futuras e evitar o 'cada um por si' duramente evidenciado pela covid-19.

"O mundo não pode se dar ao luxo de esperar até que a pandemia acabe para começar a se preparar para a próxima", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus em entrevista coletiva.

Sem uma abordagem internacional e coordenada, "continuaremos vulneráveis", advertiu, acrescentando que espera que um projeto de resolução sobre este tratado seja apresentado em maio, na reunião anual dos 194 membros da OMS.

Parmi les signatairA proposta de tratado foi apresentada em uma coluna assinada por líderes de países dos cinco continentes, incluindo o presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson ou mesmo os presidentes sul-coreano Moon Jae-in, sul-africano Cyril Ramaphosa, indonésio Joko Widodo e o chileno Sebastián Pinera.

- Restrições na Europa -

Ao mesmo tempo, vários países da Europa atingidos por uma terceira onda epidêmica continuam a anunciar medidas para tentar limitar a propagação do vírus, em particular no que diz respeito às viagens.

Assim, a Alemanha reforçará pelos "próximos 8 a 14 dias" os controles em suas fronteiras terrestres, em particular com a França, Dinamarca e Polônia. A polícia "não poderá mandar os viajantes de volta", mas verificará se têm um teste negativo de menos de 48 horas.

A Itália, cuja maior parte do território está atualmente sujeita a severas restrições, vai impor um isolamento de cinco dias aos viajantes provenientes da União Europeia. Eles também terão que realizar um teste antes da partida, bem como outro após o isolamento.

A pandemia matou pelo menos 2,79 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com um balanço elaborado pela AFP nesta terça-feira, quinze meses após a detecção dos primeiros casos de vovid-19 no final de dezembro de 2019 em Wuhan (China).

Nesse ínterim, as campanhas de vacinação avançam aos poucos.

O laboratório alemão BioNTech anunciou hoje que pretende fabricar em 2021 até 2,5 bilhões de doses de sua vacina desenvolvida com a americana Pfizer, ou 25% a mais do que inicialmente anunciado.

Mais de 565 milhões de doses de vacinas anticovid foram administradas em pelo menos 179 países ou territórios, de acordo com uma contagem da AFP de fontes oficiais.

JOHNSON & JOHNSON


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade