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Estado de Minas SÃO PAULO

Começa a corrida pela primeira vacina '100% brasileira'


26/03/2021 20:21

A corrida pela primeira vacina "100% brasileira" começou nesta sexta-feira (26) em um contexto de rivalidade política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria, que apresentaram dois projetos de imunizantes com poucas horas de diferença um do outro.

Pela manhã, o governador paulista anunciou que o Instituto Butantan está desenvolvendo a 'ButanVac', com a expectativa de produzir 40 milhões de doses a partir de maio e começar a aplicá-la em julho.

"Os resultados foram excelentes nos testes pré-clínicos", disse o diretor do Butantan, Dimas Covas.

O projeto aguarda agora a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para começar seus ensaios clínicos em abril.

O Butantan já fabrica a CoronaVac, em associação com o laboratório chinês Sinovac, por enquanto com insumos importados. Essa é a vacina mais usada no Brasil, seguida pela sueca-britânica AstraZeneca.

A ButanVac, no entanto, será "uma vacina desenvolvida e produzida integralmente no Brasil, sem necessidade de importação do IFA" (Insumo Farmacêutico Ativo, princípio ativo das vacinas), disse Doria, que emerge como um dos principais adversários de Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro de 2022.

A ButanVac "é a resposta para quem nega a ciência e nega a vida", disse o governador, aludindo a Bolsonaro, que durante meses questionou medidas preventivas contra a pandemia, como o uso de máscaras, e colocou em dúvida a eficácia das vacinas, começando com a do Butantan, que se recusou a comprar em outubro.

- Coincidência -

À tarde, o ministro da Ciência, o ex-astronauta Marcos Pontes, disse que o governo federal "tem investido" em uma dezena de projetos de vacinas brasileiras e anunciou na quinta-feira que o governo pediu autorização da Anvisa para iniciar os ensaios clínicos com uma delas.

Trata-se da Versamune-CoV-2FC, desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, também localizada no estado de São Paulo.

De acordo com o ministro, outras duas vacinas apoiadas pelo governo em breve solicitarão autorização para ensaios clínicos.

"Também estava à espera deste anúncio, foi uma coincidência. É bom para o país", disse Pontes, referindo-se ao anúncio de Doria.

"O desenvolvimento de vacinas nacionais é muito importante", acrescentou.

Esses projetos poderiam amenizar a lentidão da vacinação, por conta do atraso na importação de doses e insumos em meio à brutal aceleração da pandemia, que já deixou mais de 300 mil mortos no Brasil, com novo recorde de 3.650 mortes nesta sexta-feira.

O número acumulado de mortes e infectados é o segundo maior no mundo, superado apenas pelos Estados Unidos.

Até o momento, 12,6 milhões de brasileiros, 5,95% da população, receberam pelo menos uma dose da vacina e 3,92 milhões a segunda.

Apenas a chinesa CoronaVac e a britânica AstraZeneca, ambas produzidas no Brasil, estão sendo aplicadas no país.

A agência reguladora de saúde recebeu nesta sexta-feira o pedido de autorização de uso emergencial da vacina russa Sputnik V.

A do grupo farmacêutico americano Pfizer já recebeu autorização para seu uso definitivo.

O governo anunciou recentemente a compra para este ano de 100 milhões de doses desse imunizante, mas começará a receber as primeiras doses em abril.


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