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Estado de Minas WASHINGTON

Biden relativiza fluxo de migrantes e gera críticas dos republicanos


25/03/2021 19:06 - atualizado 25/03/2021 19:16

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, relativizou nesta quinta-feira (25) o fluxo de migrantes na fronteira dos Estados Unidos com o México, afirmando que isso "acontece todos os anos", declarações que geraram uma onda de críticas de parte da oposição republicana.

"Há um aumento significativo do número de pessoas que chegam na fronteira nos meses de inverno - janeiro, fevereiro e março -" porque os migrantes "podem viajar com menor probabilidade de morrer no caminho devido ao calor do deserto", disse o presidente democrata em sua primeira coletiva de imprensa.

Os republicanos acusam Biden de ter incentivado milhares de imigrantes em situação ilegal, inclusive muitos menores desacompanhados, a entrar nos Estados Unidos, ao relaxar a política migratória do seu antecessor, Donald Trump.

Pero para o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, "a crise da fronteira não é só algo sazonal".

"O Escritório de Alfândega e Proteção Fronteiriça (CBP) está registrando a maior alta de detenções nos últimos 20 anos e os menores desacompanhados estão se acumulando em centros fechados", acrescentou o legislador.

As críticas da oposição se multiplicaram e o influente senador Lindsey Graham acusou Biden de ter feito mudanças que criaram um "tsunami virtual humano".

Ao assumir o cargo, o presidente democrata suspendeu as deportações de migrantes por cem dias, avalizou um projeto de lei para oferecer uma via para a cidadania aos 11 milhões de imigrantes sem documentos que - estima-se - vivam no país e começou a admitir alguns solicitantes de asilo que estavam esperando há meses no México.

Mas Biden afirmou que o aumento do fluxo migratório havia começado antes de chegar à Casa Branca, em 20 de janeiro. "Não vou me desculpar por abolir políticas que violaram o direito internacional e a dignidade humana", disse.

"Não estamos mais falando de pessoas tirando os bebês das mãos de suas mães", disse, em alusão à política de Tolerância Zero, implementada por Trump, durante a qual milhares de famílias foram separadas em 2018.

- Um "cara legal" -

Biden considerou "lisonjeira" a ideia de que atraiu novos migrantes com sua imagem de "cara legal". Mas, para ele, esse não é um motivo para o aumento do fluxo de migrantes, majoritariamente centro-americanos.

"O povo deixa Honduras, Guatemala, El Salvador antes de tudo pelos terremotos, pelas inundações, pela falta de alimento, pela violência e as gangues", disse.

Em fevereiro, mais de 100.000 migrantes sem documentos foram detidos na fronteira sul americana, inclusive quase 9.500 menores desacompanhados e estas chegadas se aceleraram ainda mais no mês de março.

As autoridades americanas estavam a cargo de mais de 15.000 jovens desacompanhados até a terça-feira, inclusive quase 5.000 em postos fronteiriços que, segundo eles mesmos não são aptos para crianças.

Para melhorar a atenção aos menores, o governo planeja abrir novos centros de acolhida temporários, especialmente em bases militares do Texas, que poderiam abrigar 5.000 leitos para alojar as crianças migrantes, afirmou Biden.

O presidente também disse que os Estados Unidos estão permitindo o ingresso de várias famílias de migrantes porque o México se nega a aceitar seu retorno.

"Estamos em negociações com o presidente do México, acho que veremos esta mudança", afirmou. "Todos deveriam retornar".


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