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Estado de Minas PEQUIM

Nike e H&M são criticadas na China por se manifestarem sobre direitos da minoria uigur


25/03/2021 09:07 - atualizado 25/03/2021 09:14

Na quarta-feira (24), foi a marca de moda H&M; e, nesta quinta (25), a gigante americana de artigos esportivos Nike, criticada na China por seu boicote ao algodão de Xinjiang, devido a informações sobre "trabalhos forçados" impostos à minoria uigur.

A região de Xinjiang (nordeste) tem sido palco de atentados atribuídos aos separatistas, ou aos islamistas uigures. Há tempos as autoridades impuseram na área uma vigilância policial ferrenha.

Segundo estudos de institutos dos Estados Unidos e da Austrália, pelo menos um milhão de uigures estão nos "campos", e alguns deles são submetidos a "trabalhos forçados", principalmente nos campos de cultivo de algodão.

A China nega categoricamente estas afirmações e diz que se trata de relatórios tendenciosos. Segundo o governo, os "campos" são, na verdade, "centros de formação profissional" destinados a dar emprego à população para mantê-la afastada do extremismo.

Em 2020, após a publicação de um estudo do instituto australiano Aspi sobre os "trabalhos forçados", a Nike disse estar "preocupada" e se comprometeu a não comprar algodão de Xinjiang, um dos principais centros de produção do mundo.

Esta informação reaparece agora, na China, depois que a União Europeia e outros países impuseram sanções contra o país pelo tratamento dado aos uigures.

Pequim se referiu a essas informações como "mentiras" e aplicou sanções, como medida de represália, a personalidades e organismos europeus.

Nesta quinta-feira, um ator e uma atriz muito conhecidos na China, Wang Yibo e Tan Songyun, anunciaram que estavam cortando suas relações comerciais com a Nike, marca da qual são embaixadores.

"Os interesses do país vêm em primeiro lugar. Nos opomos firmemente a todas as ações malintencionadas que querem difundir, ou espalhar rumores sobre a China", disse a agência que representa os interesses de Tan.

- Estão sonhando! -

Na quarta-feira, a marca de moda sueca H&M; foi criticada por sua decisão de não usar mais algodão Xinjiang desde o ano passado.

Como sinal claro da intervenção do poder político nessas críticas, a Liga da Juventude Comunista, filiada ao Partido Comunista, foi a primeira entidade a lançar a polêmica no Weibo, o Twitter chinês.

"Espalhar boatos e boicotar o algodão de Xinjiang e ao mesmo tempo esperar continuar ganhando dinheiro na China? Estão sonhando!", disse a organização, publicando cópias do comunicado da H&M; que gerou a polêmica.

Os produtos da H&M; saíram das principais páginas de venda de roupas na China, dois atores famosos cortaram relações com a empresa, e a imprensa estatal criticou a marca.

Em um comunicado, a H&M; China declarou que não adotou "qualquer posição política", garantindo que segue comprometida com seus negócios de longo prazo no país.

"Comprei na H&M; há alguns dias, mas assim que chegar em casa, vou jogar fora as roupas", assegurou à AFP Liu Xiangyu, um chinês entrevistado perto de uma das lojas da marca sueca em Pequim.

Respondendo a uma pergunta sobre se o governo chinês lidera essa polêmica, o Ministério das Relações Exteriores respondeu nesta quinta-feira que não.

"O mercado chinês é o que é. Não precisamos intimidar as empresas", disse a porta-voz Hua Chunying a repórteres.

"Mas uma coisa é certa: os chineses não permitirão que estrangeiros se aproveitem da China para depois criticá-la", acrescentou.

Em seu relatório, o instituto Aspi, financiado por autoridades australianas, mas também de outros países, como os Estados Unidos, acusou a H&M; de se abastecer usando estruturas que empregam mão de obra uigur de "campos de reeducação".

Os uigures, principalmente muçulmanos, representam pouco menos da metade dos 25 milhões de habitantes de Xinjiang.

No Weibo, começaram a circular nesta quinta nomes de marcas que também haviam assumido posições semelhantes às da Nike e da H&M;, como a espanhola Zara, a japonesa Uniqlo, a americana Gap, ou a alemã Adidas.

HENNES & MAURITZ

NIKE

Weibo


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