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Estado de Minas JERUSALÉM

Um ano de pandemia em Israel com duas eleições e uma vacinação que mudou o panorama


23/03/2021 13:58

Em 2 de março de 2020, nos primeiros dias da pandemia da covid-19, Hadas votava cercada por "extraterrestres" em trajes espaciais, em um circuito eleitoral especial para os primeiros israelenses colocados em quarentena. Um ano depois, essa jovem advogada votou como uma cidadã comum e vacinada.

Quando a AFP conheceu Hadas Vinograd-Haber, em março de 2020, ela tinha voltado da Itália, então o epicentro europeu da pandemia do novo coronavírus, e as autoridades israelenses negaram que ela pudesse sair por 14 dias.

A única coisa autorizada a se fazer fora de casa foi: votar.

No estacionamento de um parque industrial em Jerusalém, onde costumam ser realizados exames para habilitação de motociclistas, ela contou à AFP sua preocupação em ver tantas pessoas reunidas em um só lugar, que poderiam estar infectadas.

Pessoas potencialmente doentes foram recebidas por policiais e membros da Comissão Eleitoral vestidos com trajes brancos completos, que os pediam para manter distância, em meio a uma atmosfera de fim do mundo.

"Foi no início da pandemia, todo mundo estava confuso", lembra um ano depois, quando Israel volta às urnas para as quartas eleições legislativas em menos de dois anos.

"As pessoas se comportavam como doidas, a metros de distância das demais (...) Pareciam extraterrestres", acrescenta.

"Como se fosse o fim do mundo, como se fosse inútil votar de qualquer maneira, já que não haveria amanhã", ressalta.

Agora, ela foi convocada a votar em seu colégio eleitoral habitual, uma escola no centro de Jerusalém, onde mora. E apenas sua máscara azul clara em seu rosto revela a persistência da pandemia.

Em 2 de março de 2020, apenas doze casos tinham sido detectados em Israel. Hoje, um ano e três semanas depois, o balanço do Ministério da Saúde confirma um total de mais de 828.200 pessoas infectadas, e quase 6.100 mortes, desde o início da pandemia.

No auge da crise na saúde, as autoridades detectavam quase 10.000 novos casos todos os dias.

Porém, na segunda-feira, foram contabilizados apenas 942 casos, resultado de uma campanha de vacinação rápida e massiva em que metade da população já recebeu duas doses, percentual que entre os maiores de 70 anos sobe para 90%.

"As vacinas mudaram o cenário", explica Vinograd-Haber, de 27 anos, que já recebeu duas doses.

"Foi perfeito, tivemos pontualidade e muitos conseguiram se vacinar", acrescenta.

O primeiro-ministro em fim de mandato, Benjamin Netanyhau, que tem sua sobrevivência política pautada na votação desta terça-feira, lançou a campanha de vacinação em dezembro e conta com ela como estratégia para continuar no cargo.

Cerca de 700 sessões eleitorais especiais foram instaladas em todo o país para pessoas em quarentena, ou que provavelmente estiveram em contato com infectados ou voltaram do exterior e, claro, para infectados.

Com a campanha de vacinação, o índice de contágios caiu de 9% em janeiro para 1,6% nesta semana, segundo o Ministério da Saúde.


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