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Estado de Minas PEQUIM

China eleva o tom contra sanções ocidentais por uigures


23/03/2021 18:48 - atualizado 23/03/2021 18:51

A China rebateu, nesta terça-feira (23), o que considera serem "mentiras" e "informações falsas" divulgadas pelos países ocidentais sobre o tratamento dado à minoria uigur e convocou os embaixadores da União Europeia (UE) e do Reino Unido.

De acordo com estudos de institutos americanos e australianos, pelo menos um milhão de uigures foram internados em "campos" na região de Xinjiang (noroeste) da China, e alguns, submetidos a "trabalhos forçados" e "esterilizações".

A China nega categoricamente estas duas últimas acusações e afirma que os "acampamentos" são "centros de formação profissional" destinados a manter a população afastada do extremismo religioso e do separatismo, na sequência de uma série de ataques atribuídos aos uigures.

Em resposta, a União Europeia impôs, na segunda-feira, sanções contra quatro autoridades passadas, ou atuais, de Xinjiang. O Reino Unido e o Canadá seguiram o exemplo.

Os Estados Unidos, que já tinham instituído sanções a dois líderes em 2020, acrescentaram os outros dois à sua lista.

Pequim retaliou, aplicando sanções a dez personalidades europeias, incluindo cinco membros do Parlamento Europeu. Todos são acusados de "espalhar mentiras" baseadas em estudos que a China considera tendenciosos.

Os europeus e suas famílias não poderão entrar na China continental, nem em Hong Kong e Macau.

Quatro fundações europeias também estão na mira de Pequim, incluindo a Aliança das Democracias, uma instituição dinamarquesa liderada pelo ex-secretário-geral da Otan Anders Fogh Rasmussen.

- "Lições" da UE -

Pequim anunciou nesta terça que convocou "durante a noite" o embaixador da UE na China, Nicolas Chapuis, para "condenar nos termos mais fortes" as sanções europeias "baseadas em mentiras e informações falsas".

"A UE não está em posição de dar lições à China sobre direitos humanos", disse a ele o vice-ministro das Relações Exteriores, Qin Gang.

"A China insta a UE a reconhecer a gravidade de seu erro, corrigi-lo e encerrar o confronto, de modo a não causar mais danos às relações sino-europeias", acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, também reagiu às acusações nesta terça-feira, durante uma reunião na China com seu homólogo russo, Serguei Lavrov.

"Nos últimos dias, uma minoria de potências ocidentais se manifestou para difamar e criticar a China", disse Wang.

"No entanto, devem saber: os dias em que podiam inventar histórias, ou fabricar uma mentira, para interferir nos assuntos internos da China acabaram", acrescentou.

Depois da Holanda na segunda-feira, França, Alemanha e Bélgia, Dinamarca, Suécia e Lituânia convocaram os embaixadores chineses em seus respectivos países.

Berlim pediu ao representante chinês a anulação "imediata" da decisão.

A Itália seguiu os passos de seus parceiros da UE e convocou o embaixador chinês na quarta-feira.

- "Não nos preocupa" -

As sanções ocidentais decididas na segunda-feira podem ser um sinal de fortalecimento dos laços entre os Estados Unidos e seus aliados contra Pequim, após a relativa desunião observada durante o mandato do ex-presidente Donald Trump.

"Honestamente, não estamos preocupados com isso", disse a porta-voz diplomática chinesa Hua Shunying a repórteres, alertando que o acordo de investimento assinado em 2020 entre a China e a UE pode ser afetado por disputas bilaterais.

Os pontos de conflito entre os países ocidentais e a China são numerosos: dea repressão à oposição em Hong Kong ao acesso ao mercado chinês, passando pelos investimentos chineses na Europa, o Mar da China Meridional, ou Taiwan.

A saída de Trump poderia ter iniciado uma distensão entre Pequim e Washington, mas o secretário de Estado americano, Antony Blinken, adotou o termo "genocídio" para evocar o tratamento dos uigures. A palavra já havia sido usado por seu antecessor Mike Pompeo.

Jornalistas estrangeiros podem ir a Xinjiang, mas são vigiados de perto pelas autoridades. Isso dificulta o trabalho de confirmar, ou negar, informações sobre a região.

Majoritariamente muçulmanos e de língua turca, os uigures são um dos 56 grupos étnicos da China. Eles representam pouco menos da metade dos 25 milhões de habitantes de Xinjiang.


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