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Estado de Minas NOVA DÉLHI

Na Índia, chefe do Pentágono elogia parceria


20/03/2021 10:47

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin, elogiou neste sábado (20) o "engajamento crescente" da Índia em "parcerias de interesses semelhantes", num momento em que o ativismo chinês na região preocupa os dois países.

A Índia é um parceiro importante para os Estados Unidos na região Ásia-Pacífico e as negociações com Nova Delhi foram dominadas pela China.

A viagem de Austin à Índia é o primeiro encontro cara a cara entre Nova Delhi e o novo governo do presidente Joe Biden. Ele chegou na sexta-feira à noite na capital indiana e encontrou o primeiro-ministro Narendra Modi e o conselheiro de segurança nacional Ajit Doval.

Austin "elogiou o papel de liderança da Índia na região Indo-Pacífico e seu crescente envolvimento com parceiros com ideias semelhantes na região para defender objetivos comuns", declarou o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

Sem falar na China, Modi tuitou que "Índia e Estados Unidos estão engajados em uma parceria estratégica que é uma força para o bem do planeta".

A visita ocorre logo após as primeiras negociações realizadas na quinta-feira entre o secretário de Estado americano, Antony Blinken, e autoridades chinesas no Alasca.

- "Parceria do século XXI" -

Neste sábado, Austin se encontrou com o ministro da Defesa, Rajnath Singh, que descreveu a reunião como "detalhada e frutífera", garantindo que a cooperação militar entre os dois países será "uma das parcerias-chave do século XXI".

Por sua vez, Austin afirmou que "a Índia é o pilar da nossa abordagem na região", saudando os "valores partilhados e interesses estratégicos convergentes" dos dois países.

Embora Biden tenha feito da democracia e dos direitos humanos uma parte central de sua diplomacia, o chefe do Pentágono disse mais tarde a alguns repórteres que levantou a questão da discriminação contra os muçulmanos durante sua visita, durante a qual também se encontrou com o ministro das Relações Exteriores Jaishankar.

"Não tive a oportunidade de discutir isso" com Modi na sexta-feira, explicou. "Dito isso, conversei com outros membros do gabinete sobre o assunto".

Os Estados Unidos querem que seus parceiros na região cooperem mais, sem que Washington intervenha em todas as operações, disse um funcionário do Departamento de Defesa.

É neste contexto que o chefe da diplomacia indiana e a ministra australiana das Relações Exteriores, Marise Payne, vão discutir com seus homólogos francês e indonésio, Jean-Yves Le Drian e Retno Marsudi, em Nova Delhi em meados de abril, de acordo com o Hindustan Times.

As relações entre os Estados Unidos e a Índia há muito tempo são espinhosas, mas temores comuns sobre a China os aproximaram desde que Modi chegou ao poder em 2014 e sob o presidente Donald Trump.

Em 2016, os Estados Unidos designaram a Índia como "grande parceiro de defesa". Grupos armamentistas americanos assinaram acordos multibilionários para fornecer equipamento militar, incluindo helicópteros, como parte da modernização das forças armadas da Índia, que planejam comprometer cerca de US$ 250 bilhões de seu orçamento.

A Rússia, no entanto, continua sendo o maior fornecedor de armas da Índia. Modi assinou um acordo de US$ 5,4 bilhões com o presidente russo Vladimir Putin em 2018 para comprar o sistema de defesa antimísseis S-400.

O acordo está sob embargo americano às vendas de armas russas e a Índia vem negociando há anos para evitar as sanções, como aconteceu com a Turquia, aliada da Otan, quando ela encomendou o S-400.

Austin admitiu que existia o risco de sanções. "Pedimos aos nossos aliados (...) que evitem aquisições que podem desencadear sanções", declarou a repórteres.

"Não houve entrega do sistema S-400", acrescentou. "A questão das sanções não foi abordada."


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