Jornal Estado de Minas

PARIS

Países europeus retomam vacinação com a AstraZeneca; França volta ao confinamento

Vários países europeus retomaram nesta sexta-feira (19) a imunização conta a covid-19 com o imunizante da AstraZeneca, que a OMS voltou a recomendar enfaticamente, enquanto a França confinava um terço de sua população.



Líderes como o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e seu contraparte francês, Jean Castex, receberam a primeira de duas doses da vacina da AstraZeneca.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, se disseram dispostos a tomá-la quando chegar sua vez.

Os benefícios da vacina que a farmacêutica AstraZeneca desenvolveu com a Universidade de Oxford superam os riscos, concluíram especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Cerca de 15 países do bloco haviam suspendido a administração da vacina da AstraZeneca por medo de reações como a formação de coágulos.

No entanto, "os dados disponíveis não sugerem nenhum aumento global da coagulação, como tromboses venosas ou embolias pulmonares, após se vacinar contra a covid-19", disseram os especialistas.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) havia afirmado na quinta-feira que a vacina é "segura e eficaz".



Alemanha, França, Itália, Bulgária e Eslovênia retomaram seus programas de imunização com esta vacina, já muito atrasados em relação aos planos originais por causa das reiteradas falhas de abastecimento do laboratório anglo-sueco.

Espanha, Portugal e Holanda o farão na semana que vem.

Outros, como os países escandinavos, preferiram a prudência. A Finlândia anunciou a suspensão da aplicação da vacina.

"A todo o mundo: quando receberem a notificação para se vacinar, por favor vão e se vacinem. É o melhor para você, é o melhor para sua família e para todos", declarou nesta sexta-feira Boris Johnson, de 56 anos, recuperado da covid-19, ao receber a vacina.

- Regiões francesas voltam a se confinar -

A partir desta sexta-feira, a França inicia em Paris e em outras regiões seu terceiro confinamento em um ano, mais flexível que os anteriores, para conter uma "terceira onda" da doença no país que se aproxima da marca de 100.000 mortos.



Mais de 20 milhões de franceses ficarão confinados por um mês a partir desta sexta-feira. As escolas e os comércios essenciais (inclusive as livrarias) permanecerão abertos.

A Alemanha, por sua vez, enfrenta um aumento "claramente exponencial" das infecções, vinculado à propagação da variante britânica, disse nesta sexta-feira o vice-presidente do instituto de vigilância sanitária Robert Koch (RKI).

Diante deste panorama, a chanceler Angela Merkel se declarou totalmente disposta a adquirir a vacina russa Sputnik V, que já foi aprovada em 52 países.

"Há tempos estou dizendo que deveríamos usar qualquer vacina que tenha sido aprovada pela agência europeia de medicamentos", declarou Merkel.

"Se esta decisão não ocorrer (...), então a Alemanha irá por seu lado", advertiu.

A Rússia anunciou ter alcançado um acordo com a Índia para produzir pelo menos 200 milhões de doses da Sputnik V.

- De dois a um metro -

Nos Estados Unidos, o ritmo da vacinação se acelerou de forma espetacular nas últimas semanas e atualmente são aplicadas, em média, 2,4 milhões de doses por dia.



O presidente americano, Joe Biden, anunciou, ainda, que seu país alcançará nesta sexta, com um mês de antecipação, seu objetivo de aplicar 100 milhões de vacinas nos primeiros 100 dias do seu mandato.

Em alguns estados americanos as escolas estão fechadas desde o início da pandemia, há um ano.

Essa decisão polêmica, que provocou grande controvérsia entre os pais, poderia mudar depois que as autoridades sanitárias flexibilizassem suas diretrizes contra a pandemia de covid-19.

Ao invés de dois metros, as crianças do ensino fundamental poderão assistir às aulas a um metro de distância umas das outras.

O governo espera, assim, convencer os sindicatos de professores e a gerência das escolas, que também receberão bilhões de dólares para se adaptar às restrições da pandemia.

- Praias do Rio, fechadas -

Na América Latina, o México anunciou que receberá lotes de vacinas dos Estados Unidos, e nesta sexta, o presidente Andrés Manuel López Obrador agradeceu o gesto de solidariedade.



O mandatário assegurou que com o envio de vacinas dos Estados Unidos, além das que chegaram ao país enviadas de Rússia, China e do laboratório Pfizer, seu governo avança no plano nacional de imunização.

"Será cumprido o propósito, a meta de ter vacinados todos os adultos idosos antes do fim de abril, pelo menos com uma dose", disse.

Na Venezuela, o líder opositor Juan Guaidó anunciou que destinará 30 milhões de dólares aos fundos da Venezuela bloqueados no exterior e colocados sob o seu controle para pagar o acesso a vacinas estrangeiras e para os custos da cadeia de frio, imprescindível para a conservação dos fármacos.

O governo de Nicolás Maduro, Guaidó e a Organização Pan-americana da Saúde (Opas) mantêm uma "mesa técnica" para negociar o acesso a um mecanismo internacional conhecido como Covax, através do qual a Venezuela tinha, a princípio, reservadas entre 1,4 milhão e 2,4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca.

Enquanto isso, no Brasil, onde a pandemia segue descontrolada, as praias do Rio de Janeiro ficarão fechadas neste fim de semana.

O coronavírus matou pelo menos 2,69 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo dados da AFP desta sexta-feira, com mais de 121 milhões de contágios desde que começou a epidemia.

ASTRAZENECA

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