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Estado de Minas PANDEMIA

COVID-19: países celebram os efeitos da vacinação

Israel e Reino Unido iniciam desconfinamento. Estratégia do lockdown, associada a campanhas bem-sucedidas de imunização, reduz o número de casos e de óbitos


08/03/2021 10:20 - atualizado 08/03/2021 10:27

(foto: Emmanuel Dunand/AFP)
(foto: Emmanuel Dunand/AFP)
Com mais de 50% da população protegida contra a COVID-19 e depois de adotar medidas duras de confinamento, Israel ensaia a volta à normalidade, com a reabertura de bares e restaurantes, e o retorno das aulas. Em lockdown desde dezembro, mês em que iniciou a campanha de imunização,o Reino Unido também planeja o levantamento das medidas, apesar de cientistas alertarem que ainda é cedo para isso. Londres registra queda de casos e, ontem, teve o menor número de óbitos desde outubro.

“É um grande dia, abrimos os restaurantes com o passaporte verde, estamos voltando à vida”, comemorou o primeiro-ministro isralenese Benjamin Netanyahu, sentado na área externa de um café em Jerusalém, ao lado do prefeito da Cidade Santa, Moshe Leon. O país, que investiu em uma campanha de vacinação massiva e estava há cinco semanas em lockdown, tem a maior taxa de vacinação do mundo: mais da metade dos 9,3 milhões de habitantes receberam a primeira dose da vacina Pfizer/BioNtech, enquanto 40% já tomaram a segunda.

O passaporte verde é uma autorização concedida a quem já recebeu duas doses da vacina ou se curou da doença — só essas pessoas estão autorizadas a frequentar o comércio. Os aeroportos foram reabertos ontem, para receber cidadãos israelenses que, com o fechamento do espaço aéreo, estavam impedidos de voltar ao país. Por enquanto, só 3 mil, porém, têm autorização de retornar.

As medidas foram aprovadas pelo governo na noite de sábado e eram muito esperadas pelos israelenses desde a saída gradual do país do terceiro confinamento, em meados de fevereiro. A reabertura chega no momento certo para Netanyahu, que joga a carta da “Nação da Vacina” na tentativa de ganhar as legislativas de 23 de março, as quartas em menos de dois anos. As últimas pesquisas dão ao seu partido, o Likud (direita), o primeiro lugar, mas sem apoio suficiente, por enquanto, para formar um governo com seus aliados.

As restrições aos locais de culto também foram relaxadas: 50 pessoas ao ar livre e 20 no interior. Também estão em processo de reabertura salões de festa e refeitórios de hotéis, que poderão acomodar até 50% de sua capacidade, com um máximo de 300 pessoas. Os eventos culturais e esportivos e as conferências poderão ser retomadas com um máximo de 500 pessoas no interior e 750 no exterior, mediante apresentação do passaporte verde. Segundo as novas medidas, os alunos poderão retornar às salas de aula em áreas onde a taxa de contaminação continua baixa.

A campanha de vacinação israelense, que começou em 19 de dezembro, reduziu o número de infecções de um pico de 10 mil por dia em meados de janeiro para cerca de 3,6 mil por dia nos últimos 10 dias, com queda nos testes positivos. No entanto, apesar desse declínio, as autoridades de saúde pública permanecem cautelosas, especialmente porque o número de pessoas vacinadas está começando a se estabilizar e variantes do vírus continuam a circular. “Se não agirmos com responsabilidade, se não seguirmos as diretrizes, existe a possibilidade de um quarto confinamento antes das eleições”, alertou Nachman Ash, coordenador da luta contra o coronavírus no final de semana.

Em queda

No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson também planeja aliviar as duras restrições impostas desde dezembro, quando uma nova variante do Sars-CoV-2, mais infectante, começou a circular. Ontem, o país registrou 82 óbitos, o primeiro número abaixo de três dígitos desde outubro. Os novos casos também estão em queda: 5.177, o mais baixo em quase seis meses. Quase 30% da população já recebeu ao menos uma dose da vacina, em uma campanha iniciada no começo de dezembro.

“É por causa da determinação de cada pessoa neste país que podemos começar a nos aproximar de um senso de normalidade — e é certo que trazer nossos jovens de volta à sala de aula é o primeiro passo”, disse Johnson. Hoje, os alunos de todo o Reino Unido voltam às salas de aula. Porém, o primeiro-ministro advertiu, porém, que é vital que os cidadãos continuem a seguir regras de distanciamento. A segunda parte da primeira fase de reabertura, que permitirá encontros ao ar livre de seis pessoas ou duas famílias, será realizada em 29 de março. As lojas podem ser reabertas até 12 de abril e todas as restrições deverão ser levantadas até 21 de junho.

Enquanto israelenses e britânicos colhem os frutos da vacinação, na Romênia, cidadãos protestaram ontem na frente do Parlamento, em Bucareste, contra uma lei que torna a imunização obrigatória. Milhares de pessoas — incluindo líderes religiosos — foram às ruas, convocadas por organizações não governamentais e com o apoio da Aliança pela Unidade Romenda, partido populista de direita que critica as restrições impostas pelo governo para conter a pandemia. Os manifestantes afirmaram que os esforços para vacinar a população era uma “conspiração comunista para destruir o cristianismo e impor uma agenda globalista de controle social”, citados pelo site português Notícias ao minuto.

Ritmo lento

Com menos de 20 novos casos por dia, a China avança timidamente na campanha de vacinação. O país já administrou mais de 52 milhões de doses, o que o coloca em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos. Porém está muito atrás no percentual de doses por 100 habitantes: menos de quatro, ante 25 nos Estados Unidos e 33 no Reino Unido.

A imunização encontra-se nesse ritmo não apenas porque a população sente que a epidemia está controlada, mas, também, por causa da capacidade limitada de produção e da “diplomacia da vacina”, que desvia muitas doses para o exterior. Segundo as autoridades sanitárias, Pequim espera vacinar 40% de seus 1,4 bilhão de habitantes até o fim de junho.


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