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Estado de Minas NAIPYIDÓ

Uma tatuagem para recordar a primeira vítima do golpe de Estado em Mianmar


07/03/2021 09:51

À luz de uma lâmpada, um tatuador desenha no peito de Hein Yar Zar o rosto de seu primeiro amor: uma jovem morta durante uma manifestação em Mianmar, que se tornou um símbolo da resistência contra a Junta militar.

"Ela deu a vida por essa revolução. Vou continuar lutando por ela", disse à AFP o jovem de 21 anos, mostrando duas tatuagens mais antigas: "17.11.2015", a data de seu primeiro encontro, e a promessa: "Juntos para sempre".

Mya Thwate Thwate Khaing foi baleada na cabeça em 9 de fevereiro durante uma manifestação em Naipyidaw, capital administrativa do país.

A jovem de 20 anos, que trabalhava em uma mercearia, morreu 10 dias depois no hospital.

A Junta disse que o tiro não veio das forças de segurança, mas os médicos confirmaram à AFP que a polícia e o exército haviam disparado munição letal naquele dia.

Em 9 de fevereiro, o casal estava na linha de frente do protesto contra o golpe que derrubou o governo civil de Aung San Suu Kyi alguns dias antes.

A multidão os separou e as forças de segurança implantaram canhões de água para dispersar a concentração.

Para se proteger, Mya Thwate Thwate Khaing se refugiou atrás da marquise de um ponto de ônibus. Apesar de estar usando um capacete, foi mortalmente baleada na cabeça.

"Mandei uma mensagem para que ela me ligasse (...) ela nunca ligou", lembra Hein Yar Zar.

"Fiquei ao seu lado no hospital e orei todos os dias para que ela melhorasse", mas não havia nada que pudesse ser feito.

A jovem rapidamente se tornou "uma heroína" e "uma mártir" do movimento pró-democracia.

Em Yangon, a maior cidade do país, os manifestantes instalaram uma faixa de 15 metros de comprimento que a representa inconsciente, vestindo uma camiseta vermelha com as cores da Liga Nacional para a Democracia (NLD), partido de Aung San Suu Kyi.

Sua morte também levou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a anunciar as primeiras sanções contra os generais golpistas, medidas que não os impediram de continuar com a repressão.

Desde a morte de Mya Thwate Thwate Khain, pelo menos 50 manifestantes pró-democracia foram mortos, incluindo vários adolescentes.

A Junta nega qualquer responsabilidade por essas mortes e culpa 'sabotadores' que querem desestabilizar o país.


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