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Estado de Minas YANGON

Manifestantes trocam ideias para escapar dos soldados em Mianmar


05/03/2021 11:22

Várias longyi - espécie de saia comprida amarrada na altura do umbigo esticadas por cordas - barricam as ruas de Yangon. Por mais inofensivas que possam parecer, essas instalações detiveram muitas vezes as forças de ordem em seu avanço para dispersar protestos contra o golpe de Estado em Mianmar.

Trata-se de uma superstição relacionada às roupas femininas, em que os homens não devem se aproximar. É uma das táticas utilizadas para resistir, desde o golpe de 1º de fevereiro que destituiu a chefe do governo civil Aung San Suu Kyi e levou ao poder uma Junta militar.

O exército gradualmente intensificou sua repressão, usando gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, balas de borracha e, às vezes, munição real contra os manifestantes, que utilizam a imaginação para retaliar.

A última ideia é pendurar as roupas em um varal cruzando a rua.

"A longyi de uma mulher é considerada prejudicial para o corpo dos homens", explica à AFP a ativista Thinzar Shunlei Yi. "Se eles passarem por baixo de uma das saias, significa que seu 'hpone' está destruído". 'Hpone', na cultura birmanesa, é o poder ou prestígio de uma pessoa.

As superstições a esse respeito são comuns entre os birmaneses mais conservadores. Alguns soldados se recusam a tocar em uma longyi feminina por medo de que isso afete seu sucesso no front.

Essas roupas coloridas podem ser vistas por toda Yangon, desde o distrito de San Chaung, palco de protestos diários, até os arredores da cidade, onde fotos compartilhadas no Facebook mostram um soldado empoleirado em um caminhão lutando para remover o varal.

- Manifestantes engenhosos -

Desde o golpe, Yangon se transformou. Para impedir que as tropas entrem em seu bairro, os manifestantes construíram barricadas improvisadas com pneus velhos, tijolos, sacos de areia, bambu e arame farpado.

Alguns manifestantes estão equipados com sacos plásticos cheios de água, que jogam nas bombas de gás lacrimogêneo para asfixiá-las o máximo possível antes que firam seus olhos.

Outros brandem espelhos como escudos para confundir o lado oposto. Outros usam extintores de incêndio para criar uma nuvem de fumaça ao seu redor, facilitando sua fuga.

Mesmo com toda a sua engenhosidade, emprestando táticas de movimentos pró-democracia em Hong Kong e na Tailândia, o terreno continua desigual, diz Thinzar.

Pelo menos 54 civis morreram desde o golpe, de acordo com as Nações Unidas, e imagens divulgadas nas redes sociais mostram forças de segurança atirando contra a multidão e corpos encharcados de sangue com ferimentos de bala na cabeça.

Um manifestante de 19 anos, Kyal Sin, foi morto a tiros em Mandalay na quarta-feira, o dia mais mortal desde 1º de fevereiro.

A mídia estatal informou nesta sexta-feira que as autoridades estão investigando a causa de sua morte.

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