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Estado de Minas WASHINGTON

Autoridades dos EUA pedem manutenção de medidas sanitárias contra a pandemia


03/03/2021 18:27

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, descreveu como "pensamento neandertal" a decisão do Texas e do Mississippi de relaxar o uso de máscaras contra a covid-19, enquanto as autoridades de saúde do país pediram aos cidadãos que sigam respeitando as medidas sanitárias para reduzir os contágios.

"A última coisa de que precisamos é o pensamento neandertal que, contanto que tudo esteja bem, tire a máscara. Esqueça. Isso ainda importa", criticou o presidente democrata a repórteres na Casa Branca.

"Acho que é um grande erro. Espero que todos já tenham percebido que essas máscaras fazem a diferença", acrescentou, ao observar o número crescente de mortos.

Com mais de 517.000 mortes e 28,73 milhões de infecções, os Estados Unidos são o país mais atingido no mundo pela pandemia da covid-19, apesar de ter avançado em sua campanha de vacinação em massa.

"Este não é o momento de suspender todas as restrições", concordou Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a principal agência federal de saúde pública do país.

"Cada indivíduo tem o poder de fazer o que é certo, independentemente do que os estados decidam", lembrou Walensky durante entrevista coletiva, incentivando a população a "continuar usando máscara, respeitando o distanciamento social".

Diante da evolução da campanha de vacinação, o governador republicano do Texas, Greg Abbott, anunciou na terça-feira o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras e a reabertura de todos os negócios a partir da próxima semana.

É hora de reabrir "100%", afirmou Abbott, avaliando que o segundo estado mais populoso do país já tem "meios de proteger" sua população.

O Mississippi escolheu o mesmo caminho a partir desta quarta-feira: "Está na hora!", tuitou o governador Tate Reeves.

Mas, embora os níveis de novos casos diários sejam muito mais baixos do que há algumas semanas em nível nacional, Walensky mostrou preocupação com alguns sinais de "retrocesso": as médias móveis mostram um ligeiro aumento no número de novas infecções e mortes, revelou.

"O cansaço está ganhando, e as medidas que tomamos precisamente para impedir o pandemia são hoje em dia muito frequentemente ignoradas", lamentou.

"Quer sejam obrigatórias ou não, como indivíduos e comunidades, sempre podemos tomar boas ações de saúde para proteger a nós mesmos e aos outros", acrescentou.

- Cuidado contra o otimismo -

Apenas 9,2% dos maiores de 18 anos no Texas receberam duas doses da vacina, mas o governador Abbott afirmou que a vacina e os testes aprimorados permitem que a vida normal seja retomada.

Muitos texanos saudaram a mudança, dizendo que o uso da máscara deveria ser uma questão de escolha pessoal.

"Acho que este anúncio é fantástico. Quer dizer, as pessoas tomam suas próprias decisões", disse à AFP Ron Mart, trabalhador da indústria de petróleo em Houston.

"Não precisa ser obrigatório. Não é um estado babá. O governador não é minha mãe", acrescentou.

Mas o prefeito democrata de Houston chamou a decisão de "decepcionante e dolorosa", e tuitou: "Cada vez que começamos a nos mover na direção certa, o governador intervém e nos faz retroceder".

Iowa e Montana abrandaram as restrições no mês passado e, em Massachusetts, os restaurantes já não têm mais limitação de capacidade. Na Carolina do Sul as reuniões não estão mais limitadas a 250 pessoas.

Algumas cidades democráticas, como São Francisco, também estão dando passos rumo à vida pós-pandemia, permitindo a abertura de restaurantes e museus com capacidade limitada.

Defendendo o uso de máscaras, Biden enviou a mensagem de que a resposta dos Estados Unidos à pandemia mudou desde que ele assumiu a presidência das mãos do republicano Donald Trump, em janeiro.

Na terça-feira, Biden anunciou que os EUA terão vacinas suficientes para imunizar a população adulta até o final de maio, um ganho de dois meses em relação à previsão anterior.

O presidente também revelou um importante acordo para que a gigante farmacêutica Merck produza a vacina desenvolvida pela rival Johnson & Johnson.


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