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Estado de Minas WASHINGTON

Diretor do FBI defende papel da agência antes de ataque ao Capitólio


02/03/2021 18:46 - atualizado 02/03/2021 18:52

O diretor do FBI, Christopher Wray, defendeu nesta terça-feira (2) o trabalho da agência antes do ataque ao Capitólio, durante um interrogatório no Congresso sobre se a polícia federal americana subestimou o perigo.

Em seu primeiro testemunho desde a invasão à sede do Congresso, em 6 de janeiro, por seguidores do então presidente Donald Trump, Wray também disse que o FBI dobrou para duas mil as investigações sobre grupos domésticos, inclusive supremacistas.

Ele também disse que não tem provas de que os membros do movimento de esquerda Antifa tenham se engajado em atos violentos que o FBI cataloga como de terrorismo doméstico.

Wray se manteve firme sobre a gestão da informação disponível antes do ataque ao Capitólio depois que outros agentes das forças de segurança declararam perante o Congresso no mês passado que os serviços de Inteligência não os tinham informado o suficiente sobre a ameaça.

"A forma como (a ameaça) foi gerenciada, até onde sei, parece consistente com nossos procedimentos normais", disse ao comitê de assuntos judiciários do Senado.

Ele se referia à informação bruta, não verificada, obtida em 5 de janeiro pelo FBI em Norfolk, Virgínia, e comunicada por e-mail à polícia do Capitólio e outros serviços de segurança.

Este relatório de Inteligência citava comentários em redes sociais que indicavam que simpatizantes de Trump planejavam invadir o Congresso juntamente com extremistas "prontos para a guerra".

Wray também disse que a polícia foi informada verbalmente sobre a ameaça e que estes dados foram publicados em um portal destinado aos agentes de segurança na região da capital federal e em todo o país.

"Não tenho uma boa resposta para isso", disse, quando perguntado se este informe teria chegado às mais altas autoridades policiais. Ele admitiu que ele mesmo não o tinha visto até dias depois do ataque.

- A violência racial triplicou -

Em seu depoimento perante os senadores, Wray disse que a violência extremista cresceu nos Estados Unidos.

Quando Wray assumiu o cargo, em meados de 2017, havia cerca de 1.000 atos de terrorismo. O número subiu para 1.400 no final do ano passado e agora para 2.000, disse ele.

E a violência atribuída ao extremismo racial, especialmente de supremacistas brancos, "é a maioria" dessas ações, de acordo com ele.

As prisões por extremismo racial triplicaram em 2020 em comparação com 2017, disse.

Wray assumiu a chefia do FBI em agosto de 2017. Ele teve uma relação complicada com Trump, que questionou sua abordagem sobre a segurança eleitoral, assim como a investigação do FBI sobre a interferência russa nas eleições de 2016.

Vários legisladores republicanos insinuaram que não foram os simpatizantes de Trump que invadiram o Capitólio, mas sim grupos de esquerda, inclusive o Antifa.

Wray descartou essa hipótese. "Até agora não vimos nenhuma evidência de anarquistas extremistas ou de membros do Antifa em conexão com o ocorrido em 6 de janeiro", disse.

Documentos judiciais mostram que muitos dos presos no ataque ao Capitólio disseram abertamente que foram impulsionados por Trump.

O ex-presidente passou quatro anos "minimizando a ameaça dos supremacistas brancos", disse o senador democrata Sick Churbin, presidente do comitê de assuntos judiciários da câmara.

"Como o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio demonstrou, nosso governo federal errou muito ao não prestar atenção à crescente ameaça do terrorismo doméstico em nosso próprio quintal", acrescentou.


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