Publicidade

Estado de Minas WASHINGTON

FMI desestima preocupações inflacionárias sobre plano de estímulo de Biden


19/02/2021 13:42 - atualizado 19/02/2021 13:43

Os temores de que a inflação saia de controle devido ao imenso pacote de alívio econômico defendido pelo governo dos Estados Unidos estão superestimados, disse nesta sexta-feira (19) a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Gita Gopinath.

"A evidência nas últimas quatro décadas aponta que é pouco provável que com o pacote proposto, Estados Unidos experimente um aumento dos preços que leve à inflação persistentemente acima do objetivo de 2% estabelecido pelo Federal Reserve" (Fed), disse Gopinath na página do FMI.

Esses argumentos contradizem as críticas ao pacote de cerca de 1,9 trilhão de dólares defendido pelo governo de Joe Biden, mas que também gera resistências, inclusive entre economistas democratas que apontaram sua preocupação por um aumento dos preços.

Gopinath estimou que contabilizando a maior parte do plano, a inflação chegaria a "2,25% em 2022, o que não é nada preocupante".

Alguns economistas, incluindo o ex-secretário do Tesouro Larry Summers, pediram cautela, afirmando que um excesso de gastos poderia gerar uma espiral inflacionária que a Reserva Federal pode ter dificuldades para controlar.

Durante a crise financeira global da década passada, a inflação anual mal atingiu a meta do Fed de 2%, e em dezembro o aumento dos preços nos Estados Unidos foi de 1,3%.

Gopinath estimou que este plano vai impulsionar o PIB entre 5% e 6% em três anos, o que se igualaria à contração de 3,5% em 2020. Ela também explicou que há vários fatores subjacentes que limitam a relação entre a inflação e a atividade econômica em muitos países e um deles é a globalização, que age como um freio para os preços e para alguns serviços.

Outro elemento é que a automatização impede que um aumento dos salários seja transferido para os preços e Gopinath afirmou que "é provável que esta crise acelere esta tendência".

A economista mencionou um terceiro fator estrutural, a presença dominante nos mercados de empresas com altas margens de lucro, o que lhes permite absorver altos custos sem elevar os preços, conforme observado quando Estados Unidos subiu suas tarifas.

O FMI apoia fortemente planos de estímulo em grande escala para enfrentar a crise gerada pela covid-19, que deixou milhões de pessoas sem emprego.

- "Turbulências no mercado" -

A secretária do Tesouro, Janet Yellen, reiterou na quinta-feira a postura do governo de Biden de que "o preço de fazer muito pouco é maior que o preço de fazer algo grande".

Yellen destacou que a inflação permaneceu ancorada em níveis muito baixos durante uma década e que mesmo que continue sendo um risco, "o Fed tem ferramentas para enfrentá-lo".

A chefe do Tesouro e o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, destacaram que o nível real de desemprego está perto de 10% e que cerca de 9 milhões de pessoas continuam sem emprego e outros 4 milhões abandonaram a força de trabalho.

Gopinath reconheceu o "perigo das turbulências no mercado" devido às oscilações temporárias dos preços ou das notícias preocupantes sobre novas variantes do coronavírus.

A economista acrescentou que após a crise "continuará havendo uma folga considerável na economia global", permitindo aliviar a pressão dos preços sem que as redes de abastecimento sofram grandes interrupções, o que elimina outro fator potencial de risco para aumento dos custos.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade