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Estado de Minas MADRI

Pedro Sánchez rompe o silêncio e condena violência na Espanha


19/02/2021 22:59 - atualizado 19/02/2021 23:01

O chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, condenou nesta sexta-feira (19) "todas as formas de violência", rompendo o silêncio em que estava desde a terça-feira, enquanto se registavam novos distúrbios no país pela prisão de um polêmico rapper.

Barcelona e Girona, na Catalunha, região natal do rapper Pablo Hasél, concentravam a mobilização para exigir sua liberdade.

"A violência é um ataque à democracia. Consequentemente, o governo da Espanha enfrentará qualquer tipo de violência", afirmou o líder socialista, que rompeu, assim, um silêncio bastante criticado pela oposição de direita.

Cerca de dois mil manifestantes, segundo a imprensa, pediram novamente nesta sexta a "liberdade" de Hasél em Barcelona, e alguns atiraram garrafas contra os agentes que isolaram a sede da Polícia Nacional em Barcelona. Pessoas com seus rostos cobertos quebraram vitrines de agências bancárias e lojas da cidade, que foram saqueadas, de acordo com a polícia.

"É uma pena, porque nós, comerciantes, não temos nada a ver com isso", lamentou Joan, um homem de 61 anos que não quis revelar à AFP seu sobrenome.

Em Girona, os manifestantes atacaram uma agência bancária e jogaram objetos contra a polícia. Três pessoas foram presas, uma em Barcelona e duas em Girona, afirmou a polícia.

No total, cerca de cem pessoas foram detidas desde terça e vários ficaram feridas, incluindo uma jovem de 19 anos que perdeu um olho em Barcelona, provavelmente devido a uma bala de borracha disparada pelas forças de segurança enquanto tentava atirar uma pedra contra os agentes.

A condenação do rapper colocou o governo Sánchez em uma situação difícil, já que alguns líderes de seu partido aliado, Podemos (extrema esquerda), demonstraram publicamente apoio aos manifestantes.

"Em uma democracia plena, e a democracia espanhola é uma democracia plena, é inadmissível o uso de qualquer tipo de violência", declarou Sánchez.

O líder do Podemos, Pablo Iglesias, que também é o segundo vice-presidente do Executivo, havia afirmado na semana passada que na Espanha não existe "democracia plena".

Uma nova mobilização política está programada para sábado em Madri, onde os distúrbios de quarta-feira foram descritas pelo prefeito conservador José Luis Martínez Almeida como "guerrilha urbana".

Em poucos dias, Pablo Hasél se tornou para muitos o símbolo da liberdade de expressão na Espanha depois de sua condenação a nove meses de prisão por glorificar o terrorismo em tuítes em que descrevia o rei Juan Carlos I como um "mafioso", elogiava pessoas implicadas em atentados e fazia duras acusações contra a polícia.

Seu caso gerou um debate sobre a liberdade de expressão na Espanha, que já passou por casos similares, como o do rapper Valtonyc, que fugiu para a Bélgica em 2018 para evitar ser preso.

O Executivo socialista se comprometeu a revisar o código penal para evitar que esse tipo de crime leve à prisão. "A democracia espanhola tem uma tarefa pendente, que é ampliar e melhorar a liberdade de expressão", reconheceu Sánchez em seu discurso.


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