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Estado de Minas YANGON

Militares aumentam repressão em Mianmar e ONU pede sua saída do poder


12/02/2021 16:45 - atualizado 12/02/2021 16:49

A mobilização contra o golpe de Estado não diminui em Mianmar e nesta sexta-feira (12) uma multidão voltou às ruas, apesar do aumento das detenções de opositores por parte da junta militar, a quem o Conselho de Direitos Humanos da ONU pediu que deixe o poder.

Uma sessão extraordinária dos 47 Estados membros do Conselho, solicitada pela União Europeia (UE) e do Reino Unido, resultou num apelo, sem votação, aos militares para que libertassem imediatamente a líder deposta Aung San Suu Kyi, e para que o governo eleito seja restaurado.

"O mundo inteiro está assistindo" à repressão em Mianmar, alertou Nada Al Nashif, vice-alta comissária de Michelle Bachelet.

Mais de 350 pessoas - políticos, militantes, membros da sociedade civil, monges e jornalista - estão atualmente detidas, denunciou a ONU durante a reunião do Conselho dos Direitos Humanos em Genebra.

Em Yangon, médicos, estudantes e trabalhadores do setor privado protestaram em uma das grandes avenidas da capital econômica do país.

Muitos estavam vestidos com a cor vermelha da Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Aung San Suu Kyi, e outros carregavam retratos da ex-líder de 75 anos, presa há 12 dias.

"Não voltaremos ao trabalho até que o governo civil de 'Mãe Suu' seja restabelecido. Pouco importam as ameaças", afirmou à AFP Wai Yan Phyo, um médico de 24 anos, antes que a multidão se dispersasse no fim da tarde.

- Balas de borracha -

Nesta sexta-feira, as forças de segurança usaram balas de borracha para dispersar brutalmente um protesto no sul do país.

Na terça-feira, a polícia abriu fogo contra os manifestantes e deixou vários feridos. Uma mulher, atingida por um tiro na cabeça, está em condição crítica.

Apesar da repressão, milhares de pessoas voltaram às ruas para exigir a libertação dos detidos, o fim da ditadura e a abolição da Constituição de 2008, muito favorável ao exército.

Dezenas de milhares de birmaneses participaram nos protestos na última semana, uma mobilização inédita desde a "Revolução do Açafrão" de 2007.

Policiais, controladores aéreos, professores, profissionais da saúde e muitos funcionários públicos estão em greve.

O comandante da junta militar, Min Aung Hlaing, fez uma advertência contra os funcionários em greve. Ele anunciou "ações eficazes pelo não cumprimento de suas obrigações (...) incitados por pessoas sem escrúpulos".

De modo paralelo, 23.314 prisioneiros, incluindo 55 estrangeiros, serão libertados e outros devem ter a pena reduzida, informou o jornal estatal Global New Light Of Myanmar. Os detalhes da medida não foram divulgados.

As grandes anistias de prisioneiros para liberar espaço em estabelecimentos superlotados são frequentes e anunciadas em datas importantes do calendário birmanês. Esta sexta-feira é feriado no país.

- Sanções dos EUA -

As novas sanções dos Estados Unidos contra os generais pelo golpe de 1º de fevereiro não parecem ter efeito por enquanto.

Washington bloqueará os ativos e as transações comerciais nos Estados Unidos de 10 comandantes militares ou militares da reserva, considerados responsáveis pelo golpe de Estado, entre eles Min Aung Hlaing.

Reino Unido e UE também ameaçaram adotar sanções.

Ao mesmo tempo, gigantes da internet - como Facebook, Google e Twitter - criticaram um projeto de lei sobre a segurança virtual que permitirá à junta militar proibir sites e obrigar as redes sociais a transmitir dados dos usuários.

O Facebook anunciou que reduziria a visibilidade do conteúdo procedente do exército, por "continuar divulgando falsas informações" após a tomada de poder.

A plataforma, principal meio de comunicação para milhões de birmaneses, afirmou as autoridades não poderão solicitar a retirada de publicações.

O exército questiona as legislativas de novembro, vencidas por ampla maioria pela LND. Os observadores internacionais não constataram problemas.

Os generais temiam a redução de sua influência após a vitória de Aung San Suu Kyi, caso ela decidisse modificar a Constituição.

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, que segundo seu partido está bem e em prisão domiciliar em Naypyidaw, continua sendo venerada em seu país, apesar das críticas internacionais por sua passividade diante dos abusos contra a minoria muçulmana dos rohingyas.


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