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Estado de Minas WASHINGTON

Democratas pedem condenação de Trump ao concluir argumentos no julgamento de impeachment


11/02/2021 21:57 - atualizado 11/02/2021 22:01

Os congressistas democratas envolvidos no julgamento de impeachment de Donald Trump concluíram seus argumentos nesta quinta-feira (11), instando o Senado a condenar o ex-presidente americano por encorajar o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro.

Após dois dias de apresentações, que incluíram horas de vídeos da multidão de partidários de Trump que invadiram o Capitólio, os democratas da Câmara servindo como promotores no processo pediram aos senadores que condenassem o ex-presidente republicano.

"Pedimos humildemente que condenem o presidente Trump por um crime do qual ele é totalmente culpado", afirmou o congressista Joe Neguse.

"Porque se não o fizerem, se fingirmos que isso não aconteceu, ou pior ainda, se deixarmos sem resposta, quem pode garantir que não vai acontecer de novo?", concluiu.

Os advogados de Trump terão 16 horas a partir de sexta-feira para apresentar sua defesa, na qual eles anteciparam que argumentarão que Trump não pode ser responsabilizado pessoalmente pelo ataque.

Eles também dirão que o julgamento em si é inconstitucional porque Trump deixou o cargo em 20 de janeiro, embora o Senado já tenha rejeitado este argumento em votação na segunda-feira.

O líder da acusação democrata, Jamie Raskin, pediu aos senadores que usem "o bom senso", lembrando que Trump não agiu durante duas horas enquanto seus apoiadores vandalizavam o Congresso.

""Por que o presidente Trump não disse a seus partidários para pararem o ataque ao Capitólio assim que soube do ocorrido?", Perguntou Raskin. "Por que ele não fez nada?".

Mais cedo, o presidente Joe Biden disse que as evidências chocantes apresentadas desde terça-feira contra seu antecessor podem pesar contra Trump entre alguns republicanos que ainda são leais ao ex-presidente.

Embora alguns republicanos reconheçam que a acusação apresentou argumentos convincentes, Trump mantém um controle rígido sobre o partido e uma condenação, que exige uma maioria de dois terços, é improvável, já que 17 republicanos precisariam votar em concordância com os 50 democratas do Senado.

- O futuro da democracia -

O motim de 6 de janeiro estourou depois que Trump realizou um ato massivo para repetir, sem provas e como tem feito desde as eleições de 3 de novembro, que Biden roubou sua reeleição.

Seguindo as instruções de Trump para marchar rumo ao Congresso, onde os congressistas estavam certificando a vitória eleitoral de Biden, a multidão rompeu as cercas da polícia e invadiu a sede legislativa

O caos deixou cinco mortos, incluindo uma mulher, baleada depois de arrombar uma porta dentro do Capitólio, e um policial, que foi morto pela multidão.

Imagens de vídeo divulgadas pelos democratas durante o julgamento mostraram manifestantes perseguindo os oponentes de Trump no Congresso e líderes políticos, incluindo o então vice-presidente Mike Pence, que precisou fugir para um local seguro.

A defesa vai enfatizar que Trump não disse expressamente a seus apoiadores para cometer violência, mas Raskin observou que o presidente republicano tem alimentado a raiva e encorajado o extremismo desde o dia da eleição, e mesmo antes.

"Esta insurreição pró-Trump não surgiu do nada", afirmou, observando que é imperativo que o Senado condene Trump e o impeça de concorrer novamente à Casa Branca em 2024.

"Vocês apostariam o futuro de sua democracia nisso?", Perguntou aos senadores.

Raskin também rejeitou as alegações dos advogados de Trump de que o presidente não incitou os distúrbios, mas estava simplesmente exercendo seu direito à liberdade de expressão sob a Primeira Emenda da Constituição.

"Ninguém pode incitar um motim", argumentou. "A Primeira Emenda não o protege."

- Apoio dos republicanos -

Biden revelou não acompanhado as audiências ao vivo, mas assistiu à cobertura sobre a apresentação do caso. "Suponho que algumas opiniões podem mudar", afirmou a jornalistas no Salão Oval.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, declarou que Biden - que tem tentado evitar que o julgamento ofusque seus esforços para aprovar um enorme pacote de ajuda econômica e sua atuação contra a covid-19 - não tinha a intenção de prever o resultado.

O senador republicano, Bill Cassidy, da Louisiana, afirmou que o vídeo de quarta-feira foi "poderoso", mas "ainda não se sabe como isso influencia as decisões finais".

Outros senadores republicanos claramente já se decidiram e não pretendem romper com Trump.

"O voto de 'Não culpado' está crescendo depois de hoje", explicou a senadora republicana Lindsey Graham, da Carolina do Sul, no Twitter.

"Acho que a maioria dos republicanos achou a apresentação" do impeachment democrata ofensiva e absurda.

O senador republicano Josh Hawley, do Missouri, amplificou o argumento dos advogados de defesa de Trump de que é inconstitucional julgar um ex-presidente.

"Você não receberá nada além da minha lamentação pelo que ocorreu àqueles criminosos no Capitólio em 6 de janeiro", declarou Hawley à Fox News.

"Mas isso não torna o julgamento mais legítimo do que é, o que é totalmente ilegítimo, sem base na Constituição".


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