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Estado de Minas MADRI

Na Espanha, vacinação desacelera por falta de estoques


29/01/2021 15:33 - atualizado 29/01/2021 15:38

Em meio às crescentes tensões na Europa devido à escassez de vacinas, a crise foi exacerbada na Espanha, onde várias regiões desaceleraram ou até suspenderam as campanhas de imunização contra a covid-19 por falta de estoques.

No âmbito da União Europeia, a Espanha assegurou antecipadamente dezenas de milhões de doses que lhe permitiriam atingir a meta de vacinar 70% de seus 47 milhões de habitantes antes do final do verão boreal.

Mas as dificuldades dos laboratórios farmacêuticos em cumprir os seus contratos pressionam as 17 regiões espanholas, competentes na área da saúde e responsáveis pela campanha de vacinação.

"Tivemos que suspender o fornecimento de novas primeiras doses, pelo menos nas próximas duas semanas, por falta de vacinas," para garantir a administração das segundas doses, disse o vice-presidente regional de Madri, Ignacio Aguado.

Na Catalunha (nordeste), as autoridades alertaram que as reservas estão se esgotando e que "as refrigeradores ficarão vazios" em alguns dias se não chegarem novas remessas.

E na Andaluzia (sul), a região mais populosa, a vacinação foi totalmente suspensa no último fim de semana.

"Como não recebemos vacinas na semana passada, tivemos que retirar da reserva estratégica, que foi se esgotando gradativamente", explicou um porta-voz do governo regional.

Por fim, o governo central teve que enviar a esta região 79.500 vacinas para retomar a campanha.

Fortemente castigada pela pandemia, que deixou oficialmente 58.000 mortes e mais de 2,7 milhões de casos, a Espanha administrou até agora 1,4 milhão de vacinas, 83,3% das recebidas, e imunizou com duas doses cerca de 252.000 pessoas.

Mas os problemas de abastecimento ameaçam a campanha de vacinação.

"Na semana passada, recebemos 50% do que devíamos ter recebido e esta semana também não recebemos 100%", denunciou o chefe da Saúde da região de Madri, Enrique Ruiz Escudero, para justificar a sua decisão de deixar de vacinar o pessoal sanitário.

Outras regiões também garantem que só continuaram com a administração das vacinas porque constituíram uma reserva estratégica no momento do recebimento.

"Quando falamos que reservaríamos as vacinas, recebemos muitas críticas", disse uma fonte do governo andaluz. "Aí está a prova de que estávamos certos", acrescentou.

- Falta de coordenação -

Para alguns profissionais da saúde, esses problemas estão ligados à falta de coordenação da administração pública de um país altamente descentralizado e onde, muitas vezes, as relações entre o governo central e as regiões autônomas são envenenadas por disputas políticas.

"Por um lado, chegam menos doses do que o previsto. Por outro, há uma espécie de corrida (entre regiões) para não ser a última nas estatísticas de vacinação", lamentou Ângela Hernández, número dois do sindicato médico AMYTS.

Isso levou, segundo ela, a "priorizar a quantidade" de doses administradas em vez de "seguir estritamente os grupos de priorização de vacinas".

Em sua opinião, o governo central deveria ter melhorado a coordenação com as regiões e estas deveriam ter terminado de injetar as duas doses no grupo prioritário (residentes e trabalhadores em lares de idosos) antes de começar a vacinar os profissionais da saúde.

"Com um bem tão precioso como este, na falta de um tratamento suficientemente eficaz contra o vírus, com um problema de produção e distribuição de magnitude global, podia-se ter suspeitado" que esses problemas viriam, ironiza.

ASTRAZENECA


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