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Estado de Minas HONG KONG

Três semanas de hotel, uma longa e cara quarentena em Hong Kong


29/01/2021 11:19

A empresária sul-coreana Lee Jung-soo se preparou para passar duas semanas de quarentena em um minúsculo quarto de hotel em Hong Kong como preço a pagar para iniciar sua nova vida, mas a repentina prolongação de sete dias aumentou sua ansiedade.

Hong Kong aumentou o período de quarentena obrigatória para três semanas, uma das mais longas do mundo, em dezembro, quando Lee se preparava para embarcar em um avião com destino a este território autônomo.

Mas quando foi notificada pela companhia aérea sobre a mudança e que não teria permissão para embarcar até que tivesse confirmado a reserva de três semanas, foi rápida em reservar um novo hotel. "Eu entrei em pânico", reconheceu.

Hong Kong tem alguns dos apartamentos mais apertados do mundo e seus quartos de hotel também são famosos por isso. As janelas raramente abrem e poucos hotéis têm varandas.

Mas Lee, que busca iniciar um negócio de comida vegana, estava determinada a permanecer positiva. "Não recomendo assistir ao noticiário o dia todo (...) Isso só vai te deixar maluco", explicou à AFP por videochamada durante sua quarentena.

"Eu diria relaxe, viva como se fossem férias, aproveite", acrescentou a mulher que passa seu tempo tocando violão, fazendo exercícios e refletindo seu confinamento nas redes sociais.

No último vídeo da quarentena, Lee usou um cortador de unhas para retirar a pulseira eletrônica que precisou colocar para garantir sua permanência em seu quarto.

"Acabou. Liberdade!", exclamou.

- Caminhar e corte de cabelo -

Hong Kong foi um dos primeiros lugares atingidos pelo coronavírus, após seu aparecimento na China continental.

A cidade registrou mais de 10.000 casos e cerca de 170 mortes. Impôs medidas eficazes, mas economicamente prejudiciais.

A quarentena para aqueles que chegam ao território foi imposta rapidamente, e as pessoas puderam se isolar em casa. Mas o vírus continuou a se espalhar.

Desde o final do ano passado, o isolamento deve ser cumprido em determinados hotéis, uma das poucas fontes de renda de um setor que sofre com a pandemia.

A regra de três semanas foi imposta depois que as cepas britânica e sul-africana, muito mais contagiosas, foram detectadas.

A quarentena não é barata, e a exigência impediu que muitos, em especial trabalhadores domésticos, a maioria filipinos e indonésios, visitassem parentes.

Assim, as pessoas que viajam para Hong Kong são geralmente aquelas que podem se permitir ficar em quarentena, ou que não têm outra opção.

Xavier Tran, um atuário de 33 anos, estava na França, quando a extensão do período de isolamento foi anunciada. Pensou em atrasar seu retorno, mas precisava voltar ao trabalho.

Tran pagou cerca de HK$ 12.000 (US$ 1.548) por um quarto de hotel de 23 metros quadrados, enquanto ainda paga o aluguel de sua casa.

"Sinto-me feliz por poder viajar durante a pandemia, mas também é difícil e requer muito esforço", disse à AFP.

O jovem faz ioga para passar o tempo e sonha com ar puro. "A primeira coisa que gostaria de fazer é caminhar", afirmou. "A segunda será cortar meu cabelo", completou.

- Funeral -

O luto tem sido um companheiro de viagem constante de Christine Tobias durante sua quarentena, uma vez que viajou para Kong Kong para enterrar seu pai.

Esta secretária de 45 anos mora na Alemanha e estava desesperada para voltar durante as férias de Natal, porque seu pai estava doente.

Ela não chegou a tempo, mas sua família atrasou o funeral para que ela pudesse estar presente.

"Tudo está pronto. Eles estão apenas esperando por mim", disse à AFP.

Assim que terminar suas três semanas de quarentena de HK$ 17.000, terá apenas duas semanas de férias antes de retornar à Alemanha.


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