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Estado de Minas LONDRES

Atrasos na entrega de vacinas elevam tensão na Europa


23/01/2021 15:30 - atualizado 23/01/2021 15:43

Depois da farmacêutica Pfizer, chegou a vez da AstraZeneca, que anunciou atrasos na entrega de vacinas na Europa, o que provoca tensão em vários países.

As entregas para países europeus da vacina desenvolvida pela - pendente de aprovação, prevista para 29 de janeiro - serão menores do que o esperado, devido a uma "queda de desempenho" em uma das fábricas, disse o grupo britânico na sexta-feira (22).

A Comissão Europeia reservou inicialmente até 400 milhões de doses desta vacina.

Este anúncio despertou, de forma imediata, um "profundo descontentamento" da Comissão Europeia e dos Estados-membros, tuitou a comissária de Saúde europeia, Stella Kyriakides, insistindo em "um calendário de entrega preciso".

"Notícias muito ruins", lamentou o ministro austríaco da Saúde, Rudolf Anschober.

"Não estamos dispostos a aceitá-las e vamos lutar" para que as entregas "se recuperem o mais rápido possível", garantiu.

Segundo ele, a Áustria deve receber em fevereiro apenas "340 mil doses" da vacina da AstraZeneca, contra os 650 mil inicialmente esperados.

A Lituânia estimou, por sua vez, em 80% a redução das doses da vacina da AstraZeneca que esperava receber no primeiro trimestre de 2021. Questionado na emissora pública irlandesa RTE, o primeiro-ministro Micheal Martin falou sobre o impacto dos atrasos nas entregas.

"Isso pode ter impacto no programa de vacinação mais amplo (já visto) e vai atrapalhar nossos planos", afirmou.

Ele disse esperar que se chegue a um "compromisso sólido" entre a Comissão Europeia e a AstraZeneca nos próximos dias.

Menos diretas, as autoridades francesas e alemãs procuraram tranquilizar suas populações.

A França, onde a lentidão da campanha de vacinação gera muita polêmica, chegou a um milhão de vacinados no sábado.

O plano de vacinação não se vê afetado pelos prazos de entrega anunciados, garantiu a ministra francesa delegada da Indústria, Agnès Pannier Runacher.

"Temos novas vacinas chegando, temos a Pfizer que aumenta sua capacidade de produção", anunciou ela, na rádio France Inter.

Na Alemanha, o ministro da Saúde, Jens Spahn, também foi tranquilizador.

Depois que a vacina for autorizada na UE, prevista para daqui a uma semana, "haverá entregas da AstraZeneca em fevereiro", afirmou.

"Quantas doses? Temos que esclarecer isso com a AstraZeneca e com a União Europeia nos próximos dias", acrescentou.

Na Suécia, o coordenador nacional de vacinação, Richard Bergström, explicou que seu país espera receber cerca de 700 mil doses no primeiro mês, após a autorização da vacina, frente a um milhão de doses esperadas.

A Noruega, que não é membro da UE, mas segue as decisões da Agência Europeia de Medicamentos quanto às autorizações, manifestou sua "decepção".

A principal autoridade sanitária do país, FHI, espera receber apenas 200.000 doses da vacina AstraZeneca até fevereiro, em comparação com 1,12 milhão de doses inicialmente previstas.

Os atrasos anunciados na semana passada na entrega da vacina da já haviam despertado a ira de países europeus.

"Acreditamos que a culpa seja da Pfizer neste momento", criticou o chefe da célula italiana de crise da pandemia, Domenico Arcuri, no jornal Stampa de sábado, confirmando que a Itália pretende processar o laboratório americano.

"A redução de 20% no fornecimento de vacinas da Pfizer não é uma estimativa, mas uma triste certeza", declarou ele, insistindo em que o direito à saúde dos italianos não é "negociável".

Na sexta-feira, o secretário de Estado francês para Assuntos Europeus, Clément Beaune, pediu à Pfizer "que cumpra seus compromissos" de entregas.

A vacina da AstraZeneca tem a vantagem de ser mais barata do que a de suas rivais. Também é mais fácil de armazenar e de transportar, pois a deve ser mantida em temperaturas muito baixas (-70ºC).

A pandemia causou quase 700.000 mortes na região europeia (52 países, de acordo com a definição da AFP), onde quase 32 milhões de pessoas foram infectadas.

Somente nos 27 países da UE foram registrados cerca de 18,5 milhões de casos e 443.231 mortes.

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