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Estado de Minas CIDADE DO VATICANO

Ex-presidente do banco do Vaticano é condenado a quase nove anos de prisão


21/01/2021 16:30 - atualizado 21/01/2021 16:37

A Justiça do Vaticano condenou, nesta quinta-feira (21), o ex-presidente do Banco do Vaticano a quase nove anos de prisão por enriquecimento ilícito com a venda fraudulenta de imóveis da Santa Sé, informaram fontes judiciais.

Angelo Caloia, de 81 anos, presidente do Instituto de Obras Religiosas (IOR, nome oficial do banco) durante vinte anos, até 2009, foi condenado junto com o advogado Gabriele Liuzzo, de 97 anos, a oito anos e onze meses de prisão por desvio de dinheiro, ao se apropriar ilicitamente de dezenas de milhões de euros após a venda de cerca de vinte propriedades em Roma e Milão.

O filho do advogado, Lamberto Liuzzo, foi condenado a 5 anos e dois meses de prisão, além do pagamento de uma alta indenização.

Segundo os investigadores, os três condenados desviaram mais de 50 milhões de euros (60 milhões de dólares) do banco vaticano durante a venda de dezenas de imóveis, realizada praticamente sem publicidade ou controle algum entre 2001 e 2008.

O caso foi descoberto em 2014, quando as contas bancárias de dois executivos do banco e do advogado foram confiscadas.

Das 29 vendas investigadas, 21 "foram realizadas abaixo do valor e o dinheiro economizado pelos compradores acabou nos bolsos dos acusados", explicou à AFP o advogado do IOR, Alessandro Benedetti.

O Banco do Vaticano, fundado em 1942, tem sido alvo de vários escândalos ao longo de sua história, alguns dos quais envolvendo a máfia siciliana.

- Os investimentos da Santa Sé -

Os clientes da instituição são sacerdotes, freiras, conferências episcopais, fundações e organizações religiosas de todo o mundo.

O julgamento por apropriação indevida de recursos públicos e lavagem de dinheiro começou há dois anos e meio, em maio de 2018.

Trata-se da primeira vez que o Vaticano pede a prisão por um crime financeiro.

No começo de dezembro, o procurador do Vaticano, Alessandro Diddi, havia pedido oito anos de prisão para Angelo Calaoia e Gabriele Liuzzo, por lavagem e apropriação indevida de recursos, assim como o confisco de mais de 50 milhões de euros de suas contas.

A Justiça do Vaticano investiga atualmente outro escândalo imobiliário que também poderia resultar em julgamento.

Trata-se do nebuloso sistema de compra de um prédio luxuoso em Londres pela Secretaria de Estado, o governo central do Vaticano, que garantiu boas comissões a um grupo de empresários italianos.

Desde então, a Santa Sé decidiu transferir os ativos financeiros e imobiliários da Secretaria de Estado a uma única administração.

O Tribunal do Vaticano anunciou esta semana que também julgará a italiana Cecilia Marogna, assessora da Secretaria de Estado, à qual consignaram meio milhão de euros em uma conta na Eslovênia por seus serviços como mediadora para a liberação de sacerdotes e freiras sequestrados na África ou na Ásia.

O então número dois da Secretaria de Estado, o cardeal Angelo Becciu, que foi retirado repentinamente do cargo em 24 de setembro pelo papa Francisco, está envolvido no caso com a suspeita de apropriação indevida de recursos relacionados com investimentos da Santa Sé.


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