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Estado de Minas BAGDÁ

Espectro dos atentados volta a rondar pelos hospitais de Bagdá


21/01/2021 14:28

Mães aflitas e irmãos preocupados passavam de leito em leito em um hospital de Bagdá nesta quinta-feira (21) para tentar reconhecer um parente, após o ataque mais sangrento em anos na capital iraquiana.

No hospital Sheikh Zayyed, situado a menos de três quilômetros da Praça Tayaran, onde dois homens-bomba se explodiram pela manhã, corpos já foram levados e houve 13 feridos graves.

Todos estavam há poucas horas na movimentada praça do centro da capital.

"Meu irmão é casado, tem dois filhos e esta manhã saiu para levar comida. O que vai acontecer com os filhos dele agora?", questiona Abas Sami, de 25 anos, sem notícias dele desde o atentado, que causou pelo menos 32 mortes e mais de cem feridos.

No hospital Al Kindi, também a alguns quilômetros de distância, enfermeiras em trajes azuis empurram uma maca em meio a familiares desesperados.

Mais longe, o ministro da Saúde, Hasan Al-Tamimi, está curvado sobre um homem em um respirador lutando pela vida. O peito do ferido mal se move.

Mazen Al-Saadi, por sua vez, sobreviveu à explosão na praça, onde passeava com um amigo. Este último "se afastou alguns metros, depois não o vi de novo ... até agora", lamenta o iraquiano de 34 anos, que acaba de encontrar o corpo de seu amigo no hospital.

- Iraque, devorado pela corrupção -

Com as eleições legislativas prometidas em junho por um governo que chegou ao poder após uma revolta sem precedentes, mas que está financeiramente preso, sem apoio político ou popular, "era esperado um retorno dos ataques", continua o homem.

Mas enquanto a classe política continua a permitir que a eleição seja adiada ou cancelada, "os conflitos políticos voltaram e poderíamos voltar ao passado", ao tempo em que os confrontos religiosos e políticos afundaram o país numa guerra civil, entre 2006 e 2010.

O saldo dos ataques de quinta-feira é muito menor do que dos ataques jihadistas coordenados, em todos os cantos de Bagdá. Está longe dos 15 carros-bomba por dia e dos ataques com mais de 300 mortes.

Mas os habitantes se acostumaram à estabilidade, esquecendo os anos sombrios do Al-Qaeda e depois do grupo do Estado Islâmico (EI).

Nesta quinta, o medo era o mesmo nos olhares. E com a experiência do passado, todos dizem que não têm ilusões. "Onde estão as informações? Como os jihadistas podem chegar ao coração de Bagdá quando o governo afirma ter derrotado o EI?", questiona Abu Zayneb, que perdeu seu irmão no ataque em Tayaran.

O próprio chefe da inteligência reconhece que houve uma violação das regras de confidencialidade. "Estávamos em alerta para as festas de fim de ano, esperávamos ataques e no final nada aconteceu, baixamos a guarda", confessa à AFP.

Tudo isso, afirma Abu Zayneb - como os outros 40 milhões de iraquianos - é culpa da corrupção que corrói as instituições, mesmo aquelas que supostamente garantem nossa segurança.

"O Iraque foi devorado pela corrupção e conflitos entre políticos", ele resume.


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