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Estado de Minas WASHINGTON

Biden deve manter pressão sobre Pequim e buscar normalização com a UE


19/01/2021 18:55

Firmeza em relação à China, normalização com a União Europeia: a futura secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, revelou nesta terça-feira (19) as principais linhas da política comercial do futuro governo de Joe Biden.

Em sua audiência de confirmação do Senado, Yellen, de 74 anos, anunciou que os Estados Unidos abordarão "as práticas abusivas, injustas e ilegais da China", em uma coincidência com o presidente Donald Trump.

Em resposta às perguntas do Comitê de Finanças do Senado em sua audiência de confirmação, Yellen observou que a China tem prejudicado as empresas americanas com uma série de políticas, incluindo subsídios ilegais, dumping (venda abaixo do custo) de produtos, roubo de propriedade intelectual e barreiras à entrada de produtos norte-americanos.

"Estamos preparados para usar toda a gama de ferramentas" disponíveis para responder, disse ele após anos de guerra comercial entre o governo Trump e Pequim.

Pequim implementa políticas que lhe dão uma vantagem "injusta", lamentou.

Donald Trump "estava certo" em ter uma "posição mais firme perante a China", admitiu Antony Blinken, futuro secretário de Estado de Biden, embora criticasse os métodos do presidente que está deixando o cargo.

"O princípio básico estava correto", disse ele aos senadores sobre a firmeza demonstrada pelo governo que deixa Pequim. "Devemos enfrentar a China com uma posição de força, não de fraqueza", disse ele, observando que isso implicava "trabalhar com aliados ao invés de denegri-los, participar e liderar instituições internacionais" ao invés de abandoná-los.

Trump, por sua vez, defendeu seu balanço um dia antes de deixar a Casa Branca, considerando que seu governo "uniu as nações do mundo para enfrentar a China como nunca antes".

Em nome de empresas e trabalhadores, Trump lançou uma guerra tarifária contra a China em 2018. O conflito já dura dois anos, com a assinatura de um acordo que reduziu as tensões em janeiro de 2020.

No âmbito deste pacto, a China se comprometeu a aumentar as compras de produtos dos EUA em 200 bilhões de dólares em 2020 e 2021. Mas as tarifas de 25% são mantidas sobre muitos produtos chineses e componentes industriais, por cerca de 250 bilhões de dólares, e medidas recíprocos da China em cerca de 100 bilhões de importações dos Estados Unidos.

Washington mudará a abordagem, no entanto: não enfrentará mais a China sozinho.

"Vamos trabalhar com os nossos aliados", disse Yellen, se referindo em particular à União Europeia, que também denuncia as práticas comerciais chinesas.

Uma forma de se aproximar dos europeus será resolver rapidamente as disputas com Bruxelas.

- Abordagem para a UE -

Yellen defendeu assim um imposto internacional sobre os gigantes do mundo digital, em discussão na OCDE.

Esse imposto "permitiria o recebimento de uma parcela justa das empresas". Além disso, permitiria "manter a competitividade das nossas empresas diminuindo os incentivos (...) às atividades offshore (fora das fronteiras) que certamente não queremos recompensar", acrescentou.

A administração de Donald Trump, que se opôs a um imposto sobre essas empresas do setor digital, falhou nas negociações no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para aplicar essa taxa internacionalmente.

O governo Trump ameaçou a França com retaliação na forma de tarifas adicionais sobre produtos icônicos como o champanhe, em resposta aos impostos franceses pendentes de medidas fiscais da OCDE. Mas eventualmente Washington desistiu de sua aplicação.


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