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Estado de Minas PARIS

Islã da França adota 'carta de princípios'


18/01/2021 14:10

O Conselho Francês para o Culto Muçulmano (CFCM) apresentou nesta segunda-feira (18) ao presidente Emmanuel Macron uma "carta de princípios" sobre o Islã na França que levará a uma reestruturação da segunda religião do país.

Após várias semanas de crise interna, os líderes do CFCM anunciaram no sábado um acordo sobre este texto afirmando a "compatibilidade" da fé muçulmana com a "laicidade" e a "igualdade entre homens e mulheres", além de rejeitar "a instrumentalização do Islã para fins políticos".

Esta carta é um "compromisso claro e preciso em favor da República", disse Macron durante um encontro com representantes do CFCM no Palácio do Eliseu.

Também marca "uma etapa extremamente importante" ao permitir "um esclarecimento da organização do culto muçulmano", acrescentou o presidente francês.

Macron exigiu esta reafirmação dos princípios republicanos como parte de sua ofensiva contra o separatismo e o Islã radical, que resultou em um projeto de lei que começará a ser debatido hoje no Parlamento.

O presidente aumentou a pressão sobre os representantes muçulmanos após os ataques jihadistas contra o professor Samuel Paty em meados de outubro e na Basílica de Nice duas semanas depois.

A nova carta de dez pontos "afirma claramente que os princípios da fé muçulmana são perfeitamente compatíveis com os princípios da República", segundo o presidente do CFCM, Mohamed Moussaoui, a repórteres após a reunião.

A carta afirma que "o princípio da igualdade perante a lei obriga qualquer cidadão, incluindo o muçulmano da França" a viver "dentro do quadro das leis da República, avalistas da unidade e coesão do nosso país".

Também faz referência a atos hostis contra muçulmanos na França, atribuídos a "uma minoria extremista que não deve ser confundida nem com o Estado nem com o povo francês".

Moussaoui disse que as oito federações do CFCM, representando vários ramos do Islã, aprovaram a carta, mas três ainda não assinaram o acordo porque "precisam de um pouco mais de tempo para explicar aos seus fiéis o que significa".

Segundo seus redatores, a carta faz parte da "redação de uma página importante da história da França" e deve "ajudar a estabelecer relações pacíficas e de confiança entre a comunidade nacional" e "todos os muçulmanos".

Sua adoção abre caminho para a criação de um Conselho Nacional de Ímãs (CNI), que ficará encarregado de dar sinal verde aos ímãs que trabalham na França.

Nesse sentido, a carta protesta contra a "interferência" de Estados estrangeiros no exercício do culto muçulmano, algo que também está na mira das autoridades e do projeto de lei contra o separatismo.

Uma de suas disposições prevê uma estrutura mais rígida para doações estrangeiras que excedam 10.000 euros (US$ 12.000).

O chefe de Estado quer acabar, em quatro anos, com a presença na França de 300 imãs da Turquia, Marrocos e Argélia.


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