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Estado de Minas DOVER

Preparativos para pós-Brexit viram missão impossível no porto de Dover


30/12/2020 13:00

O porto inglês de Dover "está o caos". Os preparativos finais para a saída do Reino Unido do mercado único europeu em 31 de dezembro se tornaram uma missão impossível.

Karen Strand é uma agente alfandegária. Provavelmente uma das profissões menos invejadas neste momento no Reino Unido. "Em uma palavra, é o caos absoluto", descreve ela, na véspera do fim do período de transição após o Brexit, em sua pequena agência de importação-exportação.

Esta última está na linha de frente para enfrentar as consequências do Brexit, apesar do acordo comercial concluído entre Londres e Bruxelas que isenta o país de tarifas e cotas.

Localizada nos acessos ao principal porto comercial do Canal da Mancha, a agência KSI Port Link Ltd viveu anos tranquilos ao ritmo das balsas com destino ao porto francês de Calais. Pequenas e médias empresas locais entregavam-lhe maçãs, componentes eletrônicos, ou tecidos, para serem enviados ao continente.

Seu trabalho era principalmente logístico, com garagens de caminhões, embalagens e certas formalidades. Da noite para o dia, Karen Strand começou a achar mais complicado trabalhar com a vizinha Europa, a 20 km do outro lado do canal, do que com a Austrália.

O período de transição de 11 meses que permitia ao Reino Unido se adaptar às regras comerciais da União Europeia, após o Brexit em 31 de janeiro deste ano, chega ao fim nesta quinta-feira (31), às 20h de Brasília, meia-noite em Bruxelas.

Para as importações, "nossos clientes devem entregar um novo documento para o Reino Unido". Mas, para as exportações, "agora devemos tratar com 27 países diferentes", desespera-se Karen.

A maior mudança para a agência e seus clientes é a "garantia de trânsito", que agora é obrigatória. É uma quantia de dinheiro virtual exigida pelo país de trânsito, "assim que um produto britânico pisar no continente europeu", como garantia em caso de possíveis inadimplências, ou de irregularidades alfandegárias.

"No geral, nossa profissão de agente alfandegário é ajudar, isso é doloroso", disse a funcionária de 52 anos.

"Trabalhamos em tempo integral, mas não é o bastante. Temos de rejeitar contratos e dizer não aos novos clientes", lamenta.

Seu trabalho já não é a importação-exportação, mas a gestão concreta e de emergência do Brexit, explica ela.

Em sua volta do feriado de Natal, Karen Strand ampliou seu pequeno escritório na cidade, onde trabalham dez funcionários, e recrutou uma equipe de dez provisórios que ela tenta treinar rapidamente, e improvisando, sobre as questões dos formulários alfandegários.

"Não temos nenhuma informação segura. O governo é muito lento na comunicação", disse.

HORNBY PLC


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