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Estado de Minas WASHINGTON

Câmara dos Representantes anula veto de um Trump cada vez mais enfraquecido


28/12/2020 23:05 - atualizado 28/12/2020 23:55

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos deu um golpe em Donald Trump ao anular o veto presidencial para o projeto de lei de Defesa, preparando o cenário para que o Senado faça o mesmo nos últimos dias de mandato do republicano.

A Câmara controlada pelos democratas votou por 322 votos a favor e 87 contra para anular o veto de Trump ao projeto de lei de Defesa de 740,5 bilhões de dólares. Uma maioria de legisladores republicanos (109) votou junto com os democratas.

Uma moção similar será apresentada no Senado de maioria republicana, onde também terá que obter o apoio de dois terços da casa para que o veto do presidente seja anulado.

Em um comunicado publicado após a votação, a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, classificou o veto de Trump de "imprudente" e pediu ao presidente que "ponha um fim à campanha de caos de última hora".

A capitulação de Trump no projeto de lei de ajuda econômica duranta a pandemia e a anulação iminente de seu veto pelo Congresso são os últimos sinais de seus poderes diminuindo enquanto o republicano se prepara para deixar a Casa Branca em 20 de janeiro.

A Lei de Autorização da Defesa Nacional de 740,5 bilhões de dólares foi aprovada este mês na Câmara dos Representantes por 335 a 78 e no Senado, por 84 a 13.

No entanto, Trump a vetou porque não revogou a chamada Seção 230, uma lei federal que concedia proteção legal à responsabilidade das empresas de internet, e também porque incluía a eliminação dos nomes dos militares do sul escravocrata da Guerra Civil (1861-65) que identificavam várias bases das Forças Armadas.

Incluindo este projeto de Defesa, Trump vetou nove projetos de lei em seus quatro anos de mandato, e, até então, o Congresso não havia somado os votos necessários para suspender nenhum de seus vetos.

Para Trump, um magnata do setor imobiliário que se orgulha de seu poder de barganha, os últimos dias foram uma humilhação constante.

- "Pare com a loucura" -

O presidente ameaçou repetidamente não ratificar o plano de alívio contra a covid e as despesas orçamentárias aumentadas que haviam sido negociadas por seu próprio Secretário do Tesouro e receberam amplo apoio de ambos os partidos no Congresso.

Sua atitude inesperada deixou os Estados Unidos à beira da paralisação do governo federal a partir da terça-feira e de privar milhões de pessoas da ajuda para enfrentar os prejuízos econômicos da pandemia.

Finalmente, no domingo, ele voltou atrás e a assinou em sua casa de férias em Mar-a-Lago, na Flórida, sem câmeras de televisão.

Na tentativa de salvar sua imagem, Trump emitiu um comunicado no qual protestou novamente contra as eleições de novembro, nas quais foi derrotado e, ao mesmo tempo, alegou que havia conseguido várias concessões.

Entre os pedidos de Trump estava que o pagamento direto aos americanos mais afetados pela pandemia aumentasse de 600 para 2.000 dólares. A Câmara aprovou a moção na segunda-feira, embora seja provável que encontre resistência dos republicanos no Senado.

O presidente eleito Joe Biden, questionado se era a favor de aumentar o auxílio econômico para 2.000 dólares, disse que "sim".

Biden, que fez uma declaração após receber um relatório de sua equipe de transição sobre segurança nacional, também disse que nomeações políticas no Pentágono - que Trump encheu de aliados após as eleições - o impediram de ter uma "imagem clara" das tropas e do orçamento.

E alertou que, portanto, adversários dos Estados Unidos poderiam tentar usar a transição a seu favor.

O episódio mostrou o quão isolado Trump está ao insistir em protestar no Twitter pela vitória que o democrata Joe Biden tirou dele nas eleições de novembro, para quem deve ceder o poder em 20 de janeiro.

Em um sinal de sua influência decrescente, o New York Post, de propriedade de Rupert Murdoch, um dos mais fervorosos apoiadores de Trump, publicou um editorial na noite de domingo pedindo-lhe para "parar com a loucura" e admitir que perdeu a eleição.

"Senhor presidente, é hora de acabar com essas travessuras sombrias", disse o jornal. "Entendemos, senhor presidente, que o senhor esteja com raiva por ter perdido. Mas seria desastroso continuar neste caminho", continuou ele. "Se você insiste em passar seus últimos dias no gabinete colocando fogo em tudo, você será lembrado por isso".


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