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Estado de Minas

Sarkozy em julgamento em Paris: 'nunca cometi o menor ato de corrupção'


07/12/2020 15:07

"Nunca cometi o menor ato de corrupção", disse nesta segunda-feira (7) o ex-presidente da França Nicolas Sarkozy, no julgamento realizado em Paris por corrupção e tráfico de influências.

Sarkozy, presidente entre 2007 e 2012, expressou sua "ira" e "indignação" pelas acusações contra ele e acrescentou que espera "ser livrado desta infâmia".

Nicolas Sarkozy, de 65 anos, é o primeiro ex-presidente da França a sentar fisicamente no banco dos acusados.

Antes dele, apenas um ex-presidente francês, Jacques Chirac, seu antecessor e mentor político, foi julgado e condenado por desvio de fundos públicos cometido quando era prefeito de Paris, mas devido a problemas de saúde nunca compareceu ao tribunal.

Retirado da política desde sua derrota nas primárias da direita em 2016, embora continue mantendo sua influência no partido conservador Republicanos, Sarkozy poderia ser condenado a dez anos de prisão e a um milhão de euros de multa por corrupção e tráfico de influências.

- O que fiz para merecer isso? -

Sarkozy é suspeito de ter tentado corromper, junto com seu advogado Thierry Herzog, o ex-magistrado Gilbert Azibert quando era juiz no Tribunal Supremo.

Segundo a acusação, o ex-presidente buscava obter informações cobertas pelo sigilo profissional e influenciar nos processos abertos na alta jurisdição relacionada ao caso Bettencourt, encerrado no final de 2013.

Em troca, ajudaria Azibert a obter um cargo de prestígio em Mônaco, embora nunca o tenha obtido.

Este caso, conhecido na França como o das "escutas", surgiu por conta de outro caso que afeta há anos o ex-chefe de Estado, o das suspeitas de financiamento da Líbia em sua campanha presidencial de 2007, que lhe rendeu uma acusação quádrupla.

No marco dessas investigações, os juízes descobriram em 2014 a existência de uma linha telefônica não oficial entre o ex-presidente e Herzog, aberta no nome de "Paul Bismuth", o nome de um antigo conhecido de escola do advogado.

As conversas interceptadas nesta linha secreta estão no centro do caso. Para a acusação, são a prova de um "pacto de corrupção". Para a defesa, trata-se de uma escuta "ilegal", considerando que o segredo das conversas entre um advogado foi violado.

"Diante de vocês está um homem do qual foram escutadas mais de 3.700 conversas privadas", disse Sarkozy ao tribunal.

Ele também denunciou recursos "desenfreados" implantados pela Justiça contra ele. "O que fiz para merecer isso?", questionou.

Após este julgamento, o ex-presidente tem um outro encontro judicial no ano que vem: o processo do caso Bygmalion sobre os gastos da campanha para a eleição presidencial em 2012.


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