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Estado de Minas

Irã não ganha nada com interrupção de inspeções, diz AIEA


30/11/2020 18:19

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse à AFP nesta segunda-feira (30) que o Irã não tem nada a ganhar com a suspensão das inspeções em suas instalações nucleares, exigida por deputados iranianos após o assassinato de um importante físico nuclear.

Em resposta aos apelos, Rafael Grossi afirmou que é "fundamental dar ao mundo as garantias necessárias e confiáveis de que não haverá desvio do programa nuclear para uso militar".

"Entendemos a angústia, mas ao mesmo tempo está claro que ninguém, a começar pelo Irã, teria nada a ganhar com uma redução, limitação ou interrupção do trabalho que fazemos juntos", declarou Grossi em entrevista à AFP.

O diretor da AIEA confirmou que até o momento a agência não recebeu nenhum aviso das autoridades iranianas a respeito de uma mudança nas inspeções de instalações nucleares após o homicídio de Mohsen Fakhrizadeh.

Parlamentares iranianos exigiram neste domingo a suspensão das inspeções internacionais em instalações nucleares do país, sinal de mais um possível revés nos compromissos assumidos no acordo sobre o programa nuclear iraniano, assinado em 2015 com as grandes potências mundiais.

"Não é a primeira vez que os deputados se manifestam neste sentido ou em sentido muito similar", disse Grossi. "Não recebemos qualquer indicação de restrição ou limitação de sua cooperação conosco", acrescentou. "Não vejo razão para crer que seja o caso agora", frisou.

O cientista Mohsen Fakhrizadeh foi enterrado na segunda-feira, três dias depois de ter sido morto em uma estrada próxima a Teerã. "Permitam-me dizer que abominamos a violência de qualquer tipo, somos uma organização internacional pela paz e segurança", ressaltou Grossi.

O assassinato do cientista vai colocar ainda mais pressão sobre os esforços diplomáticos para preservar o tratado sobre o programa nuclear do Irã, firmado em Viena em 2015, que ficou enfraquecido desde a saída dos Estados Unidos em 2018.

A União Europeia anunciou nesta segunda que os outros signatários do acordo - Irã, França, Reino Unido, Alemanha, Rússia e China - se reunirão em Viena no dia 16 de dezembro.


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