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Estado de Minas

Dissolvido pela polícia, protesto de artistas em Cuba continua gerando apoio


27/11/2020 18:55

Uma centena de jovens artistas exigem nesta sexta-feira (27) "um diálogo" em frente ao Ministério da Cultura cubano, em Havana, após a dissolução de uma manifestação de 10 dias do Movimento San Isidro (MSI) pela polícia, que alegou risco de contágio epidemiológico.

"Precisamos de liberdade de pensamento e liberdade de expressão, é isso que nos une aqui", disse o artista visual Renier Leyva, de 37 anos, à AFP.

Ao amanhecer, a polícia invadiu as instalações do Movimento San Isidro, no centro histórico de Havana, e despejou 14 jovens que lideravam um protesto havia 10 dias, seis deles em greve de fome.

As autoridades afirmaram que a ação foi motivada pelo perigo de propagação da covid-19, já que um dos presentes violou o protocolo de segurança ao chegar ao país vindo do México e dos Estados Unidos.

"O que aconteceu com o Movimento San Isidro é uma demonstração muito concreta e muito específica disso" (da falta de liberdade de expressão), acrescentou Leyva.

Segundo Tania Bruguera, uma conhecida e subversiva artista plástica, os artistas estão "cansados" da "má política que existe, em que a repressão é a solução para todos os problemas". Ela disse que estão "à procura de uma resposta".

Membros do MSI exigem a libertação de um integrante do grupo, o rapper Denis Solís, preso no dia 9 de novembro e condenado a oito meses de prisão por "desacato" à autoridade.

Após a operação na sede, os 14 integrantes do grupo foram submetidos a testes diagnósticos PCR e voltaram para suas casas, pois a sede do MSI foi fechada pelas autoridades, relataram ativistas nas redes sociais.

Dois deles se recusaram a voltar para casa e foram presos novamente, incluindo o líder do grupo, Luis Manuel Otero Alcántara, de 32 anos, artista visual, cujo paradeiro é desconhecido.

O encarregado de negócios dos Estados Unidos em Cuba, Timothy Zúñiga-Brown, afirmou no Twitter da embaixada que "o governo cubano tem a responsabilidade de respeitar os direitos humanos de todos os cidadãos".

Também no Twitter, o ministro das Relações Exteriores da República Tcheca, Tomas Petricek, escreveu que está "profundamente preocupado" com esses eventos e pediu às autoridades "que respeitem plenamente os direitos humanos dos cidadãos".

Por sua vez, Bahia Tahzib-Lie, embaixadora dos Direitos Humanos da Holanda, pediu ao governo cubano que "defenda a letra e o espírito" da Declaração Universal dos Direitos Humanos, respeite a "liberdade de expressão" e "evite prisões e detenções arbitrárias".


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