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Estado de Minas

Comunidade internacional promete fundos ao Afeganistão sob condições


24/11/2020 11:13

A comunidade internacional, mobilizada em grande parte virtualmente por causa da pandemia de coronavírus, prometeu na terça-feira novos fundos ao Afeganistão, mas alertou que só serão liberados com a condição de preservar as conquistas democráticas e em particular os direitos das mulheres.

Uma após a outra, as autoridades internacionais prometeram assistência financeira como parte de um novo plano de quatro anos que vai de 2021 a 2024.

Mas todos os participantes da conferência de doadores, organizada em Genebra pela ONU, têm em mente as negociações de paz que ocorrem atualmente em Doha entre as autoridades afegãs e os rebeldes do Talibã.

"Hoje é um bom dia para o Afeganistão", disse a representante da ONU no Afeganistão, Deborah Lyons.

Ela afirmou que há "promessas de doações importantes", mas também alertou: "O Afeganistão deve seguir em frente, não retroceder".

O medo: que o Talibã, expulso em 2001 por uma coalizão internacional e que parece ter a iniciativa no terreno, volte ao poder e restabeleça seu regime brutal que privou as mulheres afegãs de seus direitos.

"O Talibã deve assumir mais compromissos com a paz", exigiu Josep Borrell, vice-presidente da Comissão Europeia.

Ele pediu o fim imediato da violência, que está aumentando, com o Talibã querendo conquistar uma vantagem nas negociações, dominando no terreno. Uma mensagem retomada por todos os participantes.

A União Europeia prometeu "um nível de ajuda equivalente para os próximos quatro anos" aos 1,2 bilhão de euros prometidos em 2016.

O Canadá também alertou que vai "calibrar sua contribuição de acordo com o que está acontecendo" na mesa de negociações.

O representante da Holanda foi ainda mais direto: "a nossa contribuição não é carta branca".

- Sem retrocesso -

Em um longo apelo, por videoconferência de Cabul, o presidente Ashraf Ghani exortou os doadores internacionais a não se afastarem de seu país, mesmo que espere uma redução na ajuda no contexto de um economia global desacelerada pela pandemia de covid-19.

"Estamos passando por uma das maiores tragédias da história: a pandemia de covid-19. Estamos extremamente gratos que neste momento de sofrimento coletivo (...) o compromisso com o Afeganistão permanece forte", disse ele.

"Pedimos aos nossos parceiros internacionais que nos ajudem a fazer mais com menos", continuou Ghani, em um discurso transmitido por vídeo.

O país continua fortemente dependente desse apoio, com as promessas de Cabul de desenvolver a economia e combater a corrupção que demoram a se materializar. "A ajuda financeira ainda é essencial para o nosso desenvolvimento no futuro previsível", acrescentou o presidente afegão.

Mas os observadores esperam que a ajuda seja reduzida este ano, à medida que os doadores consideram o impacto do novo coronavírus em sua própria economia.

Na conferência anterior, em 2016 em Bruxelas, 15,2 bilhões de dólares (12,8 bilhões de euros) foram prometidos ao Afeganistão.

"Quero ser muito claro: continuamos firmemente engajados nas negociações com o Talibã", insistiu Ghani em seu discurso na terça-feira.

"Devemos acabar com a violência que assombra nossas vidas e rouba nossos filhos das alegrias da infância", acrescentou.

Muitos analistas acreditam que um apoio forte dos doadores internacionais ajudaria o governo afegão a enfrentar o Talibã na mesa de negociações, já que os insurgentes ganharam força com o acordo assinado em fevereiro com Washington, que confirma a retirada completa das tropas americanas em meados de 2021.

A situação no terreno, porém, se tornará um pouco mais complicada para Cabul. Os Estados Unidos anunciaram na semana passada que retirariam cerca de 2.000 soldados do país até meados de janeiro, acelerando o cronograma estabelecido pelo acordo de fevereiro.


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