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Estado de Minas GUATEMALA

Guatemala aguarda novas manifestações contra um Giammattei, que mantém silêncio

A Universidade de San Carlos, a única estatal do país, convocou uma paralisação nacional para hoje


23/11/2020 04:00 - atualizado 22/11/2020 18:40

Manifestantes atearam fogo em uma parte do prédio do Congresso, exigindo a renúncia do presidente Giammattei(foto: Orlando Estrada/AFP)
Manifestantes atearam fogo em uma parte do prédio do Congresso, exigindo a renúncia do presidente Giammattei (foto: Orlando Estrada/AFP)

 
A Guatemala foi palco ontem de novas manifestações para exigir a renúncia do presidente conservador Alejandro Giammattei, criticado por não destinar recursos suficientes para combater a pobreza e a desigualdade em seu novo orçamento. Os manifestantes convocaram novos protestos pelas redes sociais, enquanto a Universidade de San Carlos, a única estatal do país, convocou uma paralisação nacional para hoje, embora não tenha recebido resposta de outros setores ou do poderoso setor empresarial.
 
Alegando cansaço e abuso, centenas de guatemaltecos queimaram no sábado a sede do Congresso, após a aprovação de um orçamento que não contempla aumentos na esfera social e prevê um forte endividamento público. "A Guatemala chora sangue, o povo já está farto, vivemos pisoteados por mais de 200 anos", disse um manifestante que não se identificou.
 
Sobre este orçamento, Giammattei explicou na sexta-feira: "pensamos em reduzir despesas operacionais, concentrando esses recursos para atender as prioridades do país. Além disso, reduzir o déficit fiscal e como resultado, um menor endividamento". O vice-presidente do país, Guillermo Castillo, que anteriormente se distanciou de seu presidente e pediu sua renúncia, pediu ontem ao Ministério Público (MP) que investigue os escritórios queimados do Congresso, mas também a repressão policial. "É urgente que o MP abra uma investigação séria sobre o ocorrido no sábado. O vandalismo é claro e também o uso excessivo da força policial", indicou.
 
Na sexta-feira, Castillo ofereceu a Giammattei uma renúncia conjunta "pelo bem do país". Se os dois governantes renunciarem, o Congresso terá que juramentar o chanceler Pedro Brolo. O presidente, no poder desde janeiro, mantém silêncio até o momento. Mas o ministro do Interior Gendri Reyes criticou em um discurso na noite de sábado os atos violentos no Congresso e disse que vão capturar os responsáveis pelo fogo no Congresso.

CORRUPÇÃO Erguendo bandeiras azul e branco do país e cartazes que diziam "Chega de corrupção", "Fora Giammattei" e "Se meteram com a geração errada", os manifestantes encheram a praça central em frente ao antigo palácio do governo. O país, onde há vários casos e denúncias de corrupção, assim como demoras na designação de juízes, já vivenciou em 2015 a renúncia do então presidente Otto Pérez, em meio a um caso de fraude alfandegária.
Além da rejeição ao novo orçamento, a indignação também diz respeito à opacidade na gestão dos recursos usados para enfrentar a pandemia de coronavírus, assim como a rejeição à criação de um superministério liderado por um jovem próximo ao presidente. O Congresso aprovou empréstimos de mais de 3,8 bilhões de dólares para atender a pandemia, mas apenas 15% desses recursos chegou aos guatemaltecos.
A gestão da crise de saúde por parte de Giammattei, um médico de 64 anos, tem sido duramente criticada por seu vice-presidente, pela oposição e setores sociais, que denunciam carências nos hospitais e dificuldades para atender os grupos afetados pelos confinamentos. Segundo dados oficiais, a COVID-19 deixou quase 120 mil casos e mais de 4 mil mortos neste país de 17 milhões de habitantes.


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