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Estado de Minas

Exército da Etiópia acusa chefe etíope da OMS de apoiar Tigré


19/11/2020 10:55

O Exército etíope acusou, nesta quinta-feira (19), o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, originário de Tigré, de buscar apoio e armas para esta região separatista cujas tropas lutam contra o governo federal há três semanas.

Tedros "trabalhou nos países vizinhos para condenar a guerra" que o governo federal da Etiópia trava contra as autoridades regionais em Tigré desde 4 de novembro, e "trabalhou para obter armas para eles", declarou o chefe do Estado Maior do Exército Federal da Etiópia, o general Berhanu Jula, em entrevista coletiva.

"Ele não deixou pedra sobre pedra" para ajudar a Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF), partido que dirige a região dissidente e que há vários meses desafia a autoridade do governo federal, acrescentou.

"Esse cara é membro" da TPLF, acusou o general Berhanu, referindo-se a Tedros, que foi ministro da Saúde entre 2005 e 2012 no governo de Meles Zenawi, o líder histórico da TPLF, que na época era um partido muito poderoso que controlava as fontes de poder em Addis Abeba.

"O que podemos esperar dele? Não esperamos que se alie ao povo etíope e condene" as autoridades de Tigré, acrescentou.

Procurada pela AFP, a OMS em Genebra se recusou a comentar e Tedros não reagiu a essas acusações.

Tedros, de 55 anos, um cientista especializado em imunologia e doenças infecciosas, é o primeiro africano a liderar a OMS, cargo que ocupa desde 2017.

Depois de ter sido ministro da Saúde e antes de assumir a liderança da OMS, foi também ministro das Relações Exteriores entre 2012 e 2016 no governo de Hailemariam Desalegn, eleito por Meles Zenawi, que o sucedeu após sua morte repentina em 2012.

- "Traição" -

Abiy Ahmed, primeiro-ministro desde 2018 e prêmio Nobel da Paz no ano seguinte, lançou uma operação militar em Tigré em 4 de novembro contra as forças da TPLF, que acusa de tentar desestabilizar o governo federal e de atacar duas bases militares etíopes na região, o que as autoridades regionais negam.

Não há relatos precisos sobre a ofensiva militar, que já está em sua terceira semana e incluiu bombardeios aéreos, deixando a região praticamente isolada do mundo.

Mas os combates já deixaram várias centenas de mortos e, de acordo com o chefe da Comissão de Refugiados do Sudão, forçou pelo menos 36 mil etíopes a fugir para o vizinho Sudão.

A TPLF - que dominou a luta armada na Etiópia por 15 anos contra o regime militarista-marxista de Derg, derrubado em 1991 - controlou o aparato político e de segurança da Etiópia com punho de ferro por quase três décadas, até que Abiy Ahmed assumiu o governo no âmbito de um movimento de contestação popular sem precedentes contra o poder.

Seus líderes, gradualmente expulsos de cargos importantes e sujeitos a processos judiciais, se retiraram para Tigré, no norte da Etiópia, de onde desafiam a autoridade do governo federal nos últimos meses.

Em 13 de novembro, o governo etíope disse ter "evidências confiáveis" de que os agentes da TFLP trabalhavam para organizações locais e internacionais e que havia enviado uma lista ao Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA).

No mesmo dia, um funcionário da União Africana (UA) confirmou que a organização sediada em Adis Abeba havia afastado seu diretor de segurança, natural de Tigré, depois que o governo etíope questionou sua "honestidade".

Desde o início da ofensiva, centenas de pessoas foram detidas sob suspeita de conspiração com a TPLF, e 34 empresários tiveram o acesso negado às suas contas bancárias devido a seus supostos vínculos com o partido de Tigré.

Na quarta-feira, a Polícia Federal anunciou que emitiu 76 mandados de prisão para oficiais do Exército, alguns deles aposentados, sob a acusação de "traição" em benefício da TPLF.


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