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Estado de Minas

Arábia Saudita à frente do G20 e sob críticas por direitos humanos


19/11/2020 09:19

Primeiro país árabe a sediar uma cúpula do G20, a Arábia Saudita é alvo de fortes críticas em todo mundo por seu histórico em direitos humanos, marcado por ativistas atrás das grades, pelo assassinato de um jornalista e por desaparecimentos forçados.

As ONGs e as famílias dos militantes presos pediram aos grandes líderes mundiais que boicotem a cúpula virtual do fim de semana, ou que pressionem o governo saudita.

A repressão de vozes dissidentes manchou a imagem do príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, que está simultaneamente realizando reformas para suavizar leis muito conservadoras no reino muçulmano.

- Mulheres sob tutela -

Depois de permitir que as mulheres começassem a dirigir carros em 2018, a Arábia Saudita permitiu que, em agosto passado, possam obter um passaporte e viajar para o exterior sem pedir a aprovação de seus "tutores" (pais, maridos, ou outros parentes do sexo masculino).

Este movimento pôs fim a uma regra de longa data que levou a várias tentativas extremas por parte das mulheres sauditas de fugir do território para encontrar refúgio em outros países.

Os tutores masculinos podem, no entanto, registrar uma denúncia por "ausência" na polícia, o que levaria à sua eventual detenção em centros semelhantes a prisões, de acordo com a Human Rights Watch.

- Pena de morte -

Em abril, a Comissão de Direitos Humanos da Arábia Saudita declarou que o reino havia posto fim à pena de morte para pessoas condenadas por crimes cometidos quando menores de 18 anos, em um país com uma das mais altas taxas de execução do mundo.

A reforma, que prevê uma pena de prisão de até dez anos, executada em um centro de detenção de menores, foi amplamente celebrada pelos militantes, mas um caso recente gerou preocupação entre as ONGs.

Mohamed Al Faraj, preso em 2017 quando tinha 15 anos, enfrenta a pena de morte por participar de manifestações e entoar palavras de ordem contra o Estado, relata a Human Rights Watch.

- Reforma trabalhista -

Neste mês, a Arábia Saudita anunciou que flexibilizaria as restrições impostas a milhões de trabalhadores estrangeiros, no âmbito de seu sistema de patrocínio "kafala", acusadosde ser uma fonte de abusos e de exploração.

Esse sistema é descrito pelos críticos como uma forma de escravidão que vincula os trabalhadores a seus empregadores, cuja permissão é necessária para entrar e sair do país, bem como para mudar de emprego.

A nova regulamentação não se aplicará, porém, aos 3,7 milhões de trabalhadores domésticos no país, incluindo empregadas e motoristas, uma categoria de assalariados altamente vulnerável.


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