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Estado de Minas INTERNACIONAL

Na Flórida, Trump usa crescimento do PIB para frear ascensão de Biden


30/10/2020 06:57 - atualizado 30/10/2020 08:32

Donald Trump e Joe Biden levaram nesta quinta-feira, 29, a campanha para um terreno conhecido da vida eleitoral americana: a Flórida. Os dois realizaram comícios em horários diferentes na cidade de Tampa. Para convencer os indecisos, o presidente usou o crescimento de 7.4% do PIB no terceiro semestre para tentar frear o rival democrata.

As diferenças entre os dois candidatos, no entanto, eram gritantes. Trump fez um comício no estádio do Tampa Bay Buccaneers, time de futebol americano, para uma multidão aglomerada e, na maioria das vezes, sem máscaras. Biden discursou horas depois em um drive-in, com seus eleitores dentro dos carros.

Há boas razões para que os dois candidatos tenham escolhido fazer campanha na Flórida a cinco dias da eleição. Os seus 29 votos no colégio eleitoral representam quase o dobro de Michigan (16) e o triplo de Wisconsin (10), por exemplo. As eleições no Estado costumam ser decididas por menos de um ponto porcentual e Trump e Biden aparecem praticamente empatados nas pesquisas.

Mas há uma razão melhor ainda para os dois candidatos terem escolhido Tampa. O condado de Hillsborough, onde fica a cidade, é um microcosmo dos EUA, com equilíbrio entre eleitores republicanos, democratas e independentes. Em 11 das últimas 13 eleições presidenciais, o vencedor no condado ganhou a Casa Branca - uma das exceções foi Hillary Clinton, que venceu Trump em Tampa, em 2016.

"A Flórida tem a chave da eleição. Se ganharmos aqui, a eleição acabou", disse ontem o candidato democrata, com seu tradicional óculos de sol Ray-Ban. Biden fez uma blitz no Estado, com discursos em Miami e Fort Lauderdale, antes de chegar a Tampa.

No ataque

O presidente chegou à cidade mais cedo, no início da tarde. Em seu discurso, ao lado da primeira-dama, Melania, ele exaltou o crescimento da economia. "Estou muito contente que esse número do PIB tenha saído antes da eleição", disse Trump, que vem sendo aconselhado a falar mais sobre economia, uma das poucas áreas que ele, segundo pesquisas, aparece à frente de Biden.

No entanto, Trump não se manteve por muito tempo dentro do roteiro e logo passou a atacar a imprensa e o rival democrata. "Eles me pedem para falar sobre o sucesso que tive na economia, sobre o PIB. Quantas vezes eu preciso repetir, cinco ou seis? Eles me pedem para não falar mal do Biden. Dizem que ninguém se importa. Mas eu discordo. É por isso que eu estou aqui, e eles não."

Foi então que o presidente começou a dispara contra o democrata, acusando Biden de estar a serviço da Rússia e da China e de ser culpado pelo tombo recente do mercado financeiro. Em determinado momento, Trump disse que, se Biden for eleito, "não haverá festas de Natal" - um ataque que ele vem utilizando com frequência.

No fim, o presidente voltou a atacar a imprensa, principalmente a rede de TV CNN e o jornal The New York Times. "A imprensa livre nos EUA realmente é a inimiga do povo", disse o presidente. A reclamação mais recente de Trump é com relação a um artigo anônimo publicado em 2018 pelo Times.

No texto, assinado por um funcionário do alto escalão do governo, ele afirmava que fazia parte de uma "resistência" e seu objetivo era conter as intenções do presidente. Na quarta-feira, Miles Taylor, ex-chefe de gabinete do Departamento de Segurança Interior (DHS), revelou ser o autor do artigo. "Quem é esse sujeito?", ironizou Trump. "Diziam que ele era um funcionário do alto escalão do governo, mas ninguém na Casa Branca nunca ouviu falar dele." (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(foto: Frederic J. BROWN/AFP - 26/10/20)
(foto: Frederic J. BROWN/AFP - 26/10/20)

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