Publicidade

Estado de Minas

Regiões espanholas se fecham para evitar 'lockdown' total


29/10/2020 18:55

Uma atrás da outra, várias regiões espanholas estão adotando fechamentos nos perímetros de seus territórios na tentativa de evitar um 'lockdown' como o adotado na França. No entanto, os esforços podem ser insuficientes.

No domingo, o governo espanhol decretou um estado de alerta, que permitiu adotar um toque de recolher noturno em todo o território, com exceção das Ilhas Canárias, facultando às autoridades regionais impedir a entrada e a saída de suas jurisdições sem motivo justificado.

A maioria das 17 regiões espanholas, inclusive Madri, Catalunha e Andaluzia, aderiram a esta medida, que afeta três quartos da população de 47 milhões de habitantes.

Em alguns casos, como o País Basco ou as cidades andaluzas de Sevilha e Granada, o fechamento é em nível municipal.

Esta medida deve se estender por duas semanas em quase todos os casos, embora os dirigentes conservadores de Madri, resistentes a adotar restrições, o aplicarão exclusivamente nos dois próximos fins de semana, que se juntam a dos feriados nas segundas-feiras.

O impacto destas restrições não será visto "antes de 7, 8 dias", advertiu durante coletiva de imprensa o epidemiologista-chefe do Ministério da Saúde, Fernando Simón, que admitiu que os dados da Espanha são "ruins". Nesta quinta, o balanço oficial registrou mais de 23.500 casos em 24 horas, um recorde nesta segunda onda.

É um último esforço "para tentar evitar o confinamento domiciliar. Se não conseguir realmente frear o crescimento, medidas mais importantes deverão ser tomadas", disse Daniel López Codina, biofísico de um grupo da Universidade Politécnica da Catalunha, que analisa a evolução da doença.

Apesar das múltiplas restrições adotadas na Espanha desde julho, quando a epidemia voltou a sair do controle, os contágios sobem a um ritmo galopante. No último balanço diário, o ministério da Saúde reportava quase 20.000 novos contágios, 66% a mais do que há duas semanas.

"O cenário atual é muito preocupante. Estamos às portas do inverno (...) em um cenário de alto risco", disse nesta quinta no Congresso o ministro da Saúde, Salvador Illa, defendendo a prorrogação por seis meses do estado de alarme.

Ainda com reticências de vários partidos, especialmente pela longa duração, a extensão até maio foi aprovado no Congresso, onde o governo do socialista Pedro Sánchez está em minoria.

- O tabu do confinamento domiciliar -

O decreto não contempla um confinamento domiciliar, como o decretado em março para conter a primeira onda da pandemia e que algumas regiões, como a Catalunha, se propõem a voltar a aplicar.

"Penso que há um leque de possibilidades prévias que podem nos permitir frear e estabilizar a curva", defendeu o ministro da Saúde durante uma entrevista.

O severo confinamento domiciliar, decretado entre março e junho, é uma amarga lembrança para os espanhóis que, diferentemente do ocorrido em outros países europeus, ficaram longas semanas sem poder sair de casa, exceto para fazer compras, trabalhar se não pudessem fazê-lo de suas residências ou ir ao médico.

"O confinamento na Espanha foi especialmente duro (...) Aquilo ainda complica mais as coisas porque, quando as pessoas pensam no confinamento domiciliar, a imagem que temos é não poder sair, nem mesmo para passear", disse o epidemiologista Fernando Rodríguez Artalejo.

Na opinião deste professor da Universidade Autônoma de Madri, o confinamento perimetral "é muito difícil de aplicar de forma eficaz e não reduz o problema dentro da região", embora seja "muito difícil fazer prognósticos".

A Catalunha, por exemplo, fechou bares e restaurantes há duas semanas e os contágios continuam disparados, levando o governo a declarar um fechamento municipal durante o fim de semana e a suspensão das atividades culturais e de lazer.

Madri, ao contrário, com medidas menos estritas, parece ter se estabilizado após o confinamento perimetral, aplicado durante semanas na capital e em oito municípios próximos.

Para o epidemiologista Ildefonso Hernández, da Universidade Miguel Hernández de Alicante, isto se deve também a uma questão psicológica: após ter sido o epicentro da primeira onda do vírus, "a população reagiu e baixou os níveis de interação social", inclusive antes de que sejam aplicadas restrições.

Agora, "ao ir vendo uma cascata de autoridades que vão tomando decisões mais estritas, poderia ter esse mesmo efeito de aumentar a percepção do risco e que a gente esteja tomando medidas por sua conta", explica.

"Mas se a incidência continuar subindo a esta velocidade, então certamente acabaremos tomando medidas mais intensas", antecipa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade