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Estado de Minas

Biden promete controlar coronavírus e Trump oferece 'super-recuperação'

Trump multiplica seus atos de campanha, com a esperança de recuperar espaço e mudar a dinâmica eleitoral, enquanto Biden pisa forte no terreno republican


27/10/2020 22:49 - atualizado 27/10/2020 23:45

Segundo o compilado de pesquisas RealClearPolitics, a vantagem de Biden em nível nacional caiu para 7,4 pontos(foto: JIM BOURG / AFP )
Segundo o compilado de pesquisas RealClearPolitics, a vantagem de Biden em nível nacional caiu para 7,4 pontos (foto: JIM BOURG / AFP )
O candidato democrata, Joe Biden, atacou com força o adversário Donald Trump nesta terça-feira, a uma semana das eleições presidenciais nos Estados Unidos, acusando o presidente de ter se rendido à pandemia. Trump respondeu prometendo uma "super-recuperação".


Trump multiplica seus atos de campanha, com a esperança de recuperar espaço e mudar a dinâmica eleitoral, enquanto Biden pisa forte no terreno republicano, com uma visita ao estado da Geórgia, por exemplo, onde criticou o presidente por sua gestão da pandemia, que já deixou mais de 225 mil mortos no país.


Numa campanha muito marcada pela Covid-19 e com alta participação, cerca de 67 milhões de pessoas já votaram antecipadamente, o que representa um recorde histórico. Antes de deixar a Casa Branca para um trajeto frenético por Michigan, Wisconsin, Nebraska e Nevada, Trump lamentou esta modalidade de voto.


Numa aposta de alto calibre, Biden, 77 anos, visitou hoje a Geórgia, estado que há décadas vota nos republicanos e que ninguém sonharia em conseguir reverter - mas no qual os candidatos aparecem lado a lado, de acordo com as pesquisas.


De Warm Springs, Biden prometeu que irá controlar o vírus, em referência direta a uma declaração do chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, que afirmou: "Não vamos controlar a pandemia, vamos controlar o fato de que podemos ter vacinas".


Mais tarde, em Atlanta, Biden acusou Trump de "se render", mas lançou uma mensagem de otimismo: "Vamos unir o país com testes, rastreio e máscaras", afirmou, durante um comício em que seus apoiadores ficaram dentro de carros, respeitando o distanciamento social.


- 'Super-recuperação' ou depressão -


Na última semana de campanha, Trump, 74 anos, está radiante, depois de conseguir uma importante vitória política após a confirmação no Senado de sua candidata para a Suprema Corte, Amy Coney Barrett, com a qual busca atiçar os eleitores mais conservadores e a direita religiosa e colher votos na área central dos Estados Unidos.


Segundo o compilado de pesquisas RealClearPolitics, a vantagem de Biden em nível nacional caiu para 7,4 pontos.


Com a pandemia, Trump perdeu um de seus argumentos mais sólidos para a reeleiçao, uma economia que fez com que o desemprego chegasse ao mínimo de 3,5%, com a posterior destruição de milhões de postos de trabalho.


Trump acusou os democratas de não estarem "interessados em ajudar as pessoas", no momento em que as negociações para um novo plano de ajuda à pandemia estão estagnadas. "Após a eleição, aprovaremos o melhor pacote de estímulo que eles já viram, porque acho que vamos reconquistar a Câmara dos Deputados", disse o presidente. "Esta eleição é entre a super-recuperação de Trump e a depressão de Biden."


Trump seguiu para La Crosse e West Salem, em Wisconsin, buscando reduzir a vantagem de Biden. Ali, lançou uma advertência aos eleitores, pedindo aos mesmos que não deixem que "os socialistas radicais" tomem o poder com Biden como presidente.


- 'Fomos complacentes' -


Para tentar atrair eleitores que abandonaram o Partido Democrata em 2016, o ex-presidente Barack Obama voltou à corrida eleitoral com um novo comício na Flórida, outro estado-chave para a disputa. "Na última vez, fomos complacentes. Houve pessoas que ficaram um pouco preguiçosas, pessoas que achavam que as coisas já eram certas. Não podemos fazer o mesmo", declarou o ex-presidente em Orlando.


Em defesa de Trump, a primeira-dama, Melania, fez campanha pelo marido sozinha pela primeira vez este ano, elogiando-o por ser "um lutador" e oferecendo apoio às vítimas da pandemia, em discurso na Pensilvânia, outro estado-chave.


Na reta final, um fantasma assombra a política americana: a possibilidade de que as mobilizações contra a violência policial e o racismo ressurjam, após a morte de um homem negro com deficiência pela polícia na Filadelfia.


No final de maio, a morte de George Floyd, um homem negro asfixiado por um policial em Minnesota, desencadeou uma onda de protestos não vista em décadas. Na noite de ontem, centenas de pessoas protestaram nas ruas da Filadelfia, em meio a questionamentos à polícia.


Outros eventos semelhantes que foram denunciados pelo movimento Black Lives Matter geraram respostas divergentes dos candidatos.


Biden promete medidas para corrigir as injustiças sofridas pelas minorias. Trump condena o caos, que atribui aos democratas, agarrando-se ao seu mantra "Lei e ordem".

 

(foto: Frederic J. BROWN/AFP - 26/10/20)
(foto: Frederic J. BROWN/AFP - 26/10/20)

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