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Estado de Minas Chile

Atos violentos marcam um ano dos protestos


20/10/2020 04:00 - atualizado 19/10/2020 22:37

Homens encapuzados atearam fogo a igrejas em Santiago e %u201Ccelebraram%u201D queda da torre de uma delas (foto: Claudio Reyes/AFP)
Homens encapuzados atearam fogo a igrejas em Santiago e %u201Ccelebraram%u201D queda da torre de uma delas (foto: Claudio Reyes/AFP)

A Igreja da Assunção, nas proximidades da Praça Itália, em Santiago, foi completamente incendiada no domingo depois de ser atacada por encapuzados em meio a uma grande manifestação pelo primeiro aniversário do início dos protestos sociais no Chile. A pequena igreja foi o segundo templo a ser atacado no dia de protestos em Santiago. Quando a cúpula pegou fogo após o desabamento da estrutura, vários manifestantes comemoraram. A estrutura foi atacada por manifestantes encapuzados no momento em que várias horas de manifestação pacífica ocorreram ao redor da Praça Itália, onde eles comemoraram o início dos protestos de 18 de outubro de 2019.

Quando a igreja pegou fogo, bombeiros e equipes de resgate fizeram uma cerca para evitar que o colapso da estrutura atingisse as pessoas. “Deixa cair, deixa cair”, gritaram alguns encapuzados, que festejaram a subsequente queda da cúpula da igrejinha, também conhecida como “freguesia dos artistas”, segundo a imprensa chilena. Antes, bem próximo ao local onde ocorreu o incêndio, outro templo, dos Carabineros, foi saqueado e queimado, mas os bombeiros conseguiram apagar as chamas antes que elas causassem maiores danos.

“Queimar igrejas é uma expressão de brutalidade”, afirmou o ministro do Interior e Segurança, Víctor Pérez, ao destacar que durante o dia a polícia protegeu as estações de metrô de Santiago, os ônibus do transporte público e outros alvos dos violentos ataques do ano passado. O ministro disse que “grupos minoritários” dentro da manifestação foram responsáveis pelos atos de violência.

A polícia prendeu 580 pessoas durante os protestos no Chile – atos que aconteceram de forma pacífica na maior parte do tempo. Os eventos foram convocados para comemorar um ano do início das manifestações sociais no país. Segundo o governo, 30 mil pessoas compareceram ao evento, realizado na mesma praça de Santiago onde houve manifestações em 2019. No começo da noite, alguns grupos iniciaram atos de violência nos arredores da praça, a cerca de 350 metros da manifestação principal. Pessoas encapuzadas atacaram duas igrejas.

Também ocorreram incidentes em outros bairros de Santiago e em outras cidades do país, que resultaram em um total de 580 detidos, 287 deles na região metropolitana. Durante a noite, houve saques e tentativas de saque, ataques a  quartéis da polícia e barricadas, com um total de 107 incidentes graves em todo o país, segundo o subsecretário do Interior, Juan Francisco Galli.

Manifestação


Desde cedo, os manifestantes – na maioria jovens, mas também famílias e idosos – compareceram à Praça Itália, rebatizada pelos manifestantes como “Praça da Dignidade”, para comemorar o dia em que “o Chile acordou”, como afirmam os manifestantes, mas também para se reunir novamente em um grande protesto após meses de pausa devido à pandemia. Embora a polícia tenha chegado cedo ao local, parte do efetivo se retirou com o aumento do número de manifestantes na praça, coberta por cartazes e bandeiras. Somente no começo da noite alguns efetivos retornaram.

A manifestação de domingo ocorreu uma semana antes do plebiscito em que os chilenos vão decidir se mudam ou não a Constituição, que permanece como herança da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). O referendo foi convocado após um amplo acordo político alcançado após semanas de protestos violentos no ano  passado. Pesquisas apontam que a opção de aprovar a mudança constitucional poderá vencer com mais de 60% dos votos, após um ano em que a demanda por maior bem-estar social tem um apoio transversal na sociedade, além de uma forte condenação à violência nas ruas.



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