Jornal Estado de Minas

China alerta sobre indícios de fraude em pacotes com sementes enviadas ao Brasil

A Embaixada da China em Brasília alertou nesta quinta-feira, dia 1º, sobre indícios de fraude verificados nos pacotes com sementes de plantas, cuja origem é suspeita, enviados ao Brasil pelos correios. Etiquetas nas embalagens continham erros, comunicou a embaixada chinesa.





"Uma verificação preliminar constatou que as etiquetas de endereçamento apresentam indícios de fraude, com erros no código de rastreamento e em outros dados", afirmou a representação diplomática da China, em nota oficial.

O governo chinês disse estar disposto a "cooperar com a investigação de autoridades brasileiras". Segundo a embaixada, sementes são artigo de envio proibido ou restrito para países da União Postal Universal, e os "Correios de China seguem rigorosamente as disposições e vetam o transporte postal de sementes".

Nos últimos dias, moradores do Distrito Federal e de Estados como Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Rondônia relataram ter recebido sementes por via postal.





Eles alegam não ter feito as compras e não reconhecem os remetentes. Os pacotes tinham ideogramas chineses. Alguns chegaram junto a mercadorias compradas em sites asiáticos pela internet. Já foram pelo menos 36 casos, conforme o governo federal.

Houve relatos semelhantes nos últimos meses em países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido, entre outros na Europa. Autoridades norte-americanas identificaram sementes de hibisco, menta, alecrim, lavanda e mostarda, entre outras.

O Brasil tem restrições e até proibições quanto à importação de sementes pelos correios, para garantir a segurança fitossanitária e evitar contaminações.





Em nota, o Ministério da Agricultura pediu que os pacotes não sejam abertos pelos destinatários. O alerta vale para recebimentos de qualquer país. Além da China, também chegaram pacotes originários da Malásia e Hong Kong. O governo pede que cidadãos entreguem as sementes nas unidades do Mapa nos Estados ou em órgãos dos governos estaduais e não plantem nem as descartem no lixo.

O ministério afirma que ainda não é possível apontar os riscos envolvidos às sementes que chegaram ao País e começou a investigar o caso. Amostras das sementes foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Goiânia (GO), para análises técnicas.

"A importação de vegetais sem autorização pode introduzir pragas ou doenças que não existem ou estão erradicadas no País, além de causar prejuízos econômicos. Para evitar o risco fitossanitário, o Mapa atua no controle do e-commerce internacional com equipe dedicada a fiscalizar e impedir a entrada de material sem importação autorizada no país", disse a pasta.





Nos Estados Unidos, aonde os pacotes também chegaram, o Departamento de Agricultura (USDA, em inglês) trabalha com a possibilidade de que as encomendas indesejadas estejam relacionadas a uma fraude conhecida como "brushing".

O "brushing" é, essencialmente, o envio de mercadorias não solicitadas com o objetivo de registrar compras falsas. A semente, no caso, apenas cumpre a finalidade de não deixar o pacote vazio. Isso explicaria por que as autoridades até agora não encontraram sinais de tentativas de bioterrorismo ou contaminação.

Ministério da Agricultura 

Em nota, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que:

"até o momento, o recebimento de 36 pacotes, todos originários de países asiáticos, como China, Malásia e Hong Kong, recebidos em oito estados diferentes: Bahia (BA); Goiás (GO); Mato Grosso do Sul (MS); Pernambuco (PE); Rio Grande do Sul (RS); Rondônia (RO); Santa Catarina (SC); São Paulo (SP).





Até o momento, ainda não é possível apontar os riscos envolvidos. O material foi enviado para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA) de Goiânia para as análises técnicas.

Vale destacar que a entrada de sementes no Brasil só pode ser originária de fornecedores de países com os quais o Mapa já tenha estabelecido os requisitos fitossanitários. Esse material deve ser certificado pelas autoridades fitossanitárias do país exportador.

O ministério, antes de autorizar a importação da semente de determinado país, realiza análise de risco de pragas para identificar quais pragas podem ser introduzidas por aquelas sementes. A partir disso, ficam estabelecidas medidas fitossanitárias a serem cumpridas no país de origem para minimizar o risco de introdução de novas pragas no Brasil por meio da importação desse material.





A importação de vegetais sem autorização pode facilitar a entrada de pragas ou doenças que não existem ou estão erradicadas no país, além de causar prejuízos econômicos. Para evitar o risco fitossanitário, o Mapa atua no controle do e-commerce internacional com equipe dedicada a fiscalizar e impedir a entrada de material sem importação autorizada no país.

O Mapa reitera que, caso a pessoa não tenha feito compra on-line ou não reconheça o remetente, não utilize as sementes e leve o pacote para uma das unidades do Mapa em seu estado ou entre em contato por telefone relatando a situação".